Comunidade

45 anos de 25 de Abril

Foi no dia 14 de setembro de 1994 que a Associação 25 de abril, Núcleo Capitão Salgueiro Maia, foi incorporada como instituição sem fins lucrativos na Lei do Ontário. Encabeçada por Mário Lebre, esta organização nasceu com o intuito de demonstrar o amor por Portugal, mostrar reconhecimento pela ação dos Militares de Abril e, sobretudo, para evitar que conceitos como liberdade, democracia e igualdade não caiam no esquecimento.
“O nosso objetivo é realmente espalhar a mensagem por terras do norte da América – o porquê do 25 de Abril. Porque é que se fez o 25 de Abril e tentar fazer com que não caia no esquecimento e que daqui por meia dúzia de anos não seja apenas mais um dia em que não se trabalha, porque é feriado em Portugal. Dizer às pessoas porque é que se fez o 25 de Abril, porque é que o 25 de Abril existe!”, explicou-nos Rogério Vieira, presidente da Associação 25 de Abril, núcleo de Toronto.

Apesar de nem sempre os jovens mostrarem grande interesse ou aderirem a eventos desta natureza, parece que Rogério Vieira não tem razões de queixa…

“Eu não me queixo! Para dar um exemplo: temos a Lusa-Can Tuna que, desde que eu estou ligado ao 25 de Abril, reserva sempre a nossa data para vir às nossas comemorações! Acho que hoje estão aqui cerca de 16 jovens da Lusa-Can Tuna e uns arrastam os outros, evidentemente. Se eles sabem porque é que foi feito o 25 de Abril isso já não sei, não posso responder, mas pelo menos sabem que existiu uma revolução em Portugal no dia 25 de abril. Vêm sempre apoiar-nos e eu conto sempre com eles!”, contou.
Esta associação conta sempre com a presença de um Capitão de Abril nas celebrações desta data. Este ano o convidado foi Nunes Silva, oficial da Força Aérea, capitão à época e coronel hoje em dia. Está, atualmente, em situação de reserva e o seu papel no 25 de Abril foi o de incorporar a operação militar, ocupando uma estação emissora que se começou por chamar Rádio Clube Português e que, mais tarde, passou a ser também denominada de Emissora da Liberdade. Mas afinal, o que será que significam estes 45 anos de 25 de abril para este capitão?
“Significa o virar de uma página da vida do país. Passou de uma zona de obscuridade para uma zona de luz, de esperança, desejo de viver melhor, viver de uma forma mais organizada e usufruindo de mais liberdade, como é evidente”, afirmou Nunes Silva.

Ao contrário do presidente da Associação, o Capitão de Abril assume que o desinteresse da camada mais jovem da comunidade portuguesa é, de facto, uma realidade.

“Eu diria que essa é uma das grandes desilusões. Não sei se a responsabilidade é nossa, das pessoas que o fizeram, porque de facto a ideia que eu tenho é que a juventude do país não abraçou os ideais que nós pusemos na ordem do dia no nosso país. Eu penso que uma das grandes razões é que eles se habituaram a viver em democracia e em liberdade como sendo um dado adquirido. E como dado adquirido que é, já não é muito relevante. Quer dizer, uma coisa é o sentimento de alguém que teve restrições à liberdade, que foi oprimido e que encontra a solução para essa situação. A juventude dos dias de hoje é uma juventude que tem tudo ao seu dispor – tem uma escola pública, tem um serviço de saúde, tem perspetivas de vida e então vivem muito voltados para si próprios. Eu diria que os militares de abril terminaram a sua função – e ao terminar a sua função tem de ser a própria sociedade a encontrar soluções para os seus problemas. A apatia da juventude é um problema que a sociedade portuguesa tem de resolver”, disse.

Também o Cônsul de Portugal em Toronto, Rui Gomes, marcou presença neste aniversário e exaltou os principais reflexos desta revolução na comunidade portuguesa.

“Marcou uma época de transição de um regime que tínhamos para um outro. Hoje somos um regime democrático, plenamente inserido dentro dos padrões que os países europeus também são e temos de continuar a lutar pelos democráticos. Não devemos nunca dar por adquirido que as democracias estão completas – elas podem sempre ser aperfeiçoadas. Há países com graus de avanço maiores que outros e nós, portugueses, queremos também estar sempre na linha da frente dos países mais avançados no campo da democracia. Vamos ter, agora, eleições europeias e eleições portuguesas. São dois momentos este ano que os portugueses também terão para, novamente, afirmar esta liberdade que obtivemos em manifestar a nossa opinião e de sermos donos das escolhas que podemos fazer para o nosso país e para a Europa.”

Muitos dos presentes fizeram também questão de explicar como se sentiram e o significado que atribuem à Revolução do Cravos, como foi o caso do senhor Mário Corte-Real: “Foi o grito da liberdade! Eu já estava aqui no Canadá quando se deu o 25 de abril e a minha vontade foi regressar a Portugal imediatamente só para poder gritar liberdade! Não tinha problemas políticos, tinha mais problemas de liberdade, de poder dizer o que eu sentia. Nasci num bairro muito pobre e passei por muita miséria. É preciso passar por essas coisas para poder dar o verdadeiro valor que tem a liberdade”.

Nunca nos poderemos esquecer que Portugal, tal e qual como o conhecemos hoje, só existe graças à coragem daqueles que levaram a cabo esta Revolução. Viva Portugal, Viva a liberdade!

Inês Barbosa

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