Humor realidade

País campeão (e dividido) com classe, sempre

Crónica ao contrário: HUMOR COM REALIDADE

Photo: @copyright

Caro leitor, o que seria da vida sem alegria e sem sorrisos? Bom, é isso que vos proponho. Uma vez por mês aqui neste espaço eu marcarei encontro consigo. E… se está a ler isto neste preciso momento, parabéns: escolheu o único local da casa onde ainda é porreiro estar sozinho sem parecer antisocial. Sim, esta crónica é para si — herói da porta trancada, guerreiro do ar mal ventilado, estratega do “já vou, estou ocupado!”. Uma leitura mensal pensada ao ritmo da digestão e com a profundidade de quem está, literalmente, a olhar com esforço para o resto do mundo.

Não prometo grandes revelações filosóficas, mas entre o som da canalização e o leve aroma a ambientador de pinho, talvez encontre aqui algo que o faça rir, ou pelo menos distrair-se do scroll infinito nas redes sociais. Afinal, se vamos perder tempo, que seja com estilo e, já agora, sentado. Seja então bem-vindo à crónica que não julga. Aqui, pode rir, refletir ou simplesmente fazer tempo para não ter de voltar à reunião de Zoom. Se está a ler isto, há boas hipóteses de estar sentado no seu trono de porcelana, em comunhão solene com o azulejo frio e o eco das suas decisões alimentares. Não se preocupe, está entre amigos. Esta crónica nasceu precisamente para este momento: quando finalmente pode fugir do mundo e das notificações (plim, plim, plim ou então pior do que isso: aqueles que metem sons de animais como forma de avisar o que lhe chega ao telefone).

A promessa é simples: uma vez por mês, venho cá, nesta página, fazer-lhe companhia. Nada de assuntos sérios, pois para isso já basta o papel higiénico áspero que comprou em promoção. Trago histórias, disparates e talvez uma ou outra epifania nascida do tédio e do eco da sanita. Porque, convenhamos, se há sítio onde pensamos em tudo e em nada ao mesmo tempo… é aqui ou aí.

Mas vamos ao nosso assunto: Senhoras e senhores, meninos e meninas, sportinguistas e… os outros: o Sporting é campeão nacional! Ou melhor dizendo, o Gyökeres Clube de Portugal, porque sejamos honestos, se o campeonato fosse uma telenovela, o sueco era o protagonista, o realizador e o homem da banda sonora. Só faltou mesmo o golo de bicicleta em slow motion com a banda sonora dos Coldplay por trás.

Em Alvalade, já se fala em canonizar o Viktor, ou pelo menos dar-lhe o Passe Navegante vitalício. Os avós dos atuais sportinguistas só viram tanta festa quando a televisão ainda era a preto e branco, e agora temos drones, luzes LED e mais câmaras que um reality show da Netflix.

Mas, pronto, enquanto por cá se fazia história em verde e branco, no resto do país… o verdadeiro apagão não foi o da luz ou da tecnologia, foi mesmo o das ideias. Tivemos eleições e, meus caros, se há coisa mais preocupante que a defesa do Benfica, são os resultados da abstenção. Milhões de portugueses optaram por ficar em casa, sentados no sofá, a decidir entre votar ou ver mais um episódio da novela. Ganhou a novela. Quem perdeu? O país inteiro.

A esquerda, coitada, levou uma goleada à moda antiga. A diferença é que, ao contrário do Marítimo quando joga com o Porto, aqui ninguém pode gritar “fora de jogo!” porque estavam todos, literalmente, fora de cena.

As sondagens, essas eternas adivinhas de café com bica, continuam a acertar com a mesma precisão de um pénalti do Paulinho (o roupeiro) em dia mau. Erram tanto que já se suspeita que são feitas com base em bolinhas do Euromilhões. Está na altura de reconhecer: as sondagens fazem mal ao sistema. Sobretudo ao nervoso.

Entretanto, e porque somos uma comunidade que adora festas, como o Zé gosta de um bom cozido, temos o dom – enquanto comunidade pensadora e organizada – de marcar 500 mil eventos no mesmo fim de semana. Entre os santos populares, os aniversários, o baile da piriquita ou do chapéu de três bicos, os comícios, as festas e as marchas do orgulho, há quem já não saiba se está a dançar o vira ou a fugir de um fogo de artifício.

Aqui, deste lado do Atlântico, os nossos irmãos da diáspora também andam em modo celebração: as estrelas do Portuguese Canadian Walk of Fame já estão prontas… a ser prontas. Sim, porque o que é português é esperar um bocadinho e logo se vê.

E com isto tudo, desejo-vos um bom fim de semana, cheio de classe, estilo, e quem sabe, com um bocadinho de esperança de que, tal como o Sporting, este país também consiga marcar um ou dois golos de jeito. Ou pelo menos acertar numa sondagem. Ria-se e haja saúde.

Rómulo Medeiros Ávila/MS

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