Editorial

Uma maçã por dia

Photo: @copyright

Quando Deus criou o homem e a mulher, houve uma coisa que talvez não tenha considerado. Os seres humanos precisam de se alimentar diariamente para viverem felizes para sempre. Em termos simples, um corpo sem nutrição não funciona de forma eficaz. Então, o que estava Deus a pensar quando pediu aos humanos que cultivassem os alimentos de que precisavam para sobreviver, quando existem tantos problemas associados a esse processo?

Vivemos num mundo controlado por cadeias de abastecimento, onde aquilo que comemos num país pode ter origem noutro a milhares de quilómetros de distância. No entanto, raramente as pessoas pensam nas consequências e nos processos necessários para levar os alimentos da terra até às nossas panelas e pratos.
A pandemia foi um verdadeiro alerta para a sociedade, lembrando-nos de que o mundo funciona de maneiras misteriosas e que qualquer ditador insignificante pode, a qualquer momento, perturbar o fluxo de produtos que salvam as nossas vidas. E, além disso, quando finalmente conseguimos esses produtos, os seus preços sobem para além das nossas capacidades económicas.

A especulação de preços ao longo do percurso dos alimentos, orquestrada por aqueles que simplesmente transportam um produto de um lugar para outro, tem causado grande perturbação nos países que não produzem muitos dos seus próprios alimentos. O Canadá é um deles, em grande parte devido às suas condições geográficas e climáticas.

Stanley Kubrick escreveu: “As grandes nações do mundo sempre agiram como gangsters e as pequenas nações como prostitutas.” É exatamente isso que está a acontecer neste momento, enquanto lutamos não só para colocar comida na mesa, mas também para pagar gasolina e outras necessidades controladas pelos “gangsters” das cadeias de abastecimento.

Apesar das declarações otimistas do primeiro-ministro Mark Carney em Davos, afirmando que as nações mais pequenas terão de se defender por si próprias, Kubrick tem razão ao dizer que não somos mais do que “prostitutas” a implorar por acordos com países mais fortes. O silêncio ensurdecedor das autoridades governamentais quanto a soluções para o elevado custo de vida é impossível de ignorar. E assim lidamos com mais guerras, orquestradas pelos “gangsters”, numa demonstração de quem tem os mísseis maiores, sem perceberem que os conflitos acabam sempre por afetar aqueles que estão na base da escala social.

Então, o que dizemos às classes com menores rendimentos sobre como sobreviver nestes tempos de conflitos geopolíticos? A resposta fácil é a explicação cobarde de procurar preços mais baixos. No entanto, os custos são controlados por organizações multinacionais focadas em aumentar os lucros, escondendo-se atrás das desculpas das guerras propagadas pelos criminosos que as provocam. A atitude de “máfia”, que começa dentro dos governos e se espalha por todo o sistema das cadeias de abastecimento, sugere que estão a fazer tudo para cuidar de nós, enquanto se escondem atrás de um véu de pensamentos corruptos. O resultado final para todos nós, as criaturas de Deus, é que seremos pressionados por custos adicionais, criando ainda mais dificuldades e incertezas para aqueles cujo rendimento disponível não é suficiente.

Sobreviver a tempos difíceis terá de incluir um plano de “luta pela sobrevivência” por parte das famílias, à medida que os custos dos alimentos, do combustível e da habitação continuam a subir. Dentro dessa luta pela sobrevivência, as pessoas devem estar preparadas para não ter acesso a coisas que normalmente são facilmente disponíveis. A adoção de formas de ganhar a vida, fora do trabalho regulamentado pode ter de ser temporariamente considerada, sobretudo se os governos não derem um passo em frente para proteger os seus cidadãos.

Talvez este seja o momento para as criações de Deus olharem à sua volta e semearem as sementes da ajuda ao próximo, enquanto os “gangsters” e as “prostitutas” tentam resolver as coisas.

Manuel DaCosta/MS


Editorial in English

An apple a day

When God created man and woman, there was one thing he may not have considered. Human beings need to be satiated with food on a daily basis to live a life happily ever after. Simply put, a body lacking nutrition will not function effectively, so what was God thinking when he asked humans to cultivate for the food they needed to survive when there are so many problems associated with the process?

We live in a world that is controlled by supply chains where what we eat in one country may have originated in another thousands of miles away, but rarely do people think about the consequences and processes of getting the food from the soil to our pots and pans. The pandemic was an awakening call to society reminding us that the world functions in mysterious ways and that any tinpot dictator can, at any time, upset the flow of the products that will save our lives and furthermore, when we get the products, the costs rise above our economic capacities. Price gouging by moving products along the food trail orchestrated by those who simply move a product from one place to another have caused mayhem to the non-producing countries of the world with Canada being one of them because of our geographical and weather challenges. Stanley Kubrik wrote “The great nations of the world have always acted like gangsters and the small nations like prostitutes”. This is exactly what is going on at the moment as we struggle not only to put food on the table but gasoline and other necessities controlled by the supply chain gangsters.

Despite the positive pronunciations of Prime Minister Mark Carney in Davos about smaller nations having to fend for themselves, Kubrik is correct that we are nothing more than prostitutes begging for a deal from stronger countries. The sound of silence from government officials about solutions to the high cost of living is deafening.

And so we deal with more wars orchestrated by the gangsters to show whose missiles are bigger but not realizing that conflicts will always affect those who are at the bottom of societal scales. So what do we tell the lower earning classes about survival in these times of geo-conflicts? The easy answer is of course the cowardly explanation about looking for lower costs except that costs are controlled by multinational organizations set on higher profits and hiding behind the excuses of propagated wars by the criminals that wage these wars. The mob attitude, which begins within governments and proliferates the supply chain system, will suggest that they are doing all they can to look after you while hiding behind a veil of corruptive thoughts. The ultimate result for all of us who God created, is that we are going to be squeezed with additional costs, creating further struggles and uncertainty for those whose disposable income doesn’t measure up.

Surviving hard times will have to include a plan of “survival struggle” by families as the costs of food, fuel and shelter rise. Within this survival struggle, people should be prepared to not have access to things normally easily available.

Adoption of methods of earning a living outside of regulated labour may have to be temporarily adopted, particularly if governments don’t step up to protect their citizens. Perhaps this is the time for God’s creations to look around their periphery and sow the seeds to help another human being while the gangsters and prostitutes figure things out.

Manuel DaCosta/MS

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