Editorial

Tudo o que eu desejo para o Natal

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Cartoon by Stella Jurgen

Já se ouve o toque dos sinos na rádio anunciando a chegada do Natal. A comercialização está em pleno, a incentivar as pessoas a despedirem-se dos seus dólares ganhos com trabalho árduo, para comprarem bens que a maioria não precisa. Está na altura de gastar e gastar um pouco mais, para ajudar a salvar a economia, particularmente as pequenas lojas artesanais dos nossos bairros que, ano após ano, parecem enfrentar os mesmos desafios económicos, graças a uma sociedade que continua a colocar obstáculos, apesar do desafio que estes lojistas enfrentam. Contudo, mantêm-se firmes. A melancolia económica faz com que os especialistas opinem, sem declarar quem lhes controla a mensagem, e assim, exacerbando as informações recebidas e afetando ainda mais o frágil estado das nossas mentes. Nesta altura do ano, muitas pessoas retraem-se para o seu casulo, do qual não saem até que passe a época das festividades, porque para eles não existe alegria de celebração devido à inacessibilidade dos elementos que mais nos trazem satisfação na vida.   

O mundo segue a sua rota com o Black Friday e Cyber Mondays até que chegue o Natal onde tudo o que você precisa de ter debaixo da árvore são bolachas e leite, ao invés de presentes, sem qualquer utilidade, embrulhados em papéis e cartões poluentes. A alegria temporária que advém da abertura de um presente deve ser acompanhada com o pensamento de que o Natal é sobre celebrar o amor, que deve ser doado todos os dias. Juntamente com o Dia dos Namorados, provavelmente, estas são as celebrações mais falsas, onde as pessoas, na forma mais hipócrita, fingem durante alguns minutos que se preocupam com outra pessoa, quando no resto do ano falham no reconhecimento dessa mesma pessoa.

Será que estou a ser como o Scrooge? Talvez, mas a minha motivação é trazer de volta uma jornada na direção de uma existência onde o mundo fecha as suas janelas a uma realidade que precisamos para sobreviver. Gestos e palavras carinhosas são o que precisamos para diminuir a solidão que muitos sentem nesta altura do ano. Imagine que existe uma escassez de Pais Natal este ano, talvez estejam em greve a exigir um aumento salarial. Os Pais Natal mais velhos estão a reformar-se, a colocar as renas para pastar e os Pais Natal substitutos querem vestir Lululemon e ser envoltos em acrílico. Leve a sua criança para tirar uma fotografia com o Pai Natal e oiça o Ho-Ho-Ho pré-gravado a tocar como música de fundo. São os tempos modernos sem genuinidade.

Pessoalmente, estou ansioso pela refeição do costume, o bacalhau com batatas cozidas, que todos os anos enche a minha alma com o sentido do que é o Natal e é o lembrete de que a humildade de espírito assume uma relevância vital até ao ano seguinte. Pergunto-me – quanto custará o bacalhau este ano?

Então, quando vir o espírito de alguém enfraquecer e a solidão refletida nos seus olhos, dê-lhe o presente de Natal e ajude o espírito abatido a recuperar. Viver no presente nunca foi tão sobrestimado como agora, porque fingimos que apenas as nossas vidas importam. O coronavírus criou uma vala no tempo e alterou a forma como vivemos, e até, modificou algo mais – o próprio tempo.

Abrace esta época do ano e não se deixe enganar pela importância que os discursos de vendas querem passar na rádio. Em vez disso, esta é uma altura para se apoiarem uns aos outros.

Tudo o que eu quero para o Natal é algo gratuito – bondade.

Manuel DaCosta/MS


Version in english

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Cartoon by Stella Jurgen

All I Want for Christmas

The jingles are playing in the radio heralding the coming of Christmas. Commercialization is in full bloom incentivizing people to part with their hard-earned dollars to buy items that most don’t need. It’s time to spend and spend some more, to help salvage the economy, particularly the mom & pop shops on our neighbourhoods who year after year appear to have the same economic challenges due to a society that keeps placing obstacles in spite of defiance from these same shop owners. But they persevere. Economic gloominess has pundits opining without declaring that those who control the messaging acerbating the information received and further affecting the already fragile state of our minds pay them. At this time of the year, many people retract into a cocoon from which they do not exit until after the holidays because for them there is no joy of celebration due to the unaffordability of the most basic uplifting life elements.

But the world goes on with Black Friday’s and Cyber Mondays until Christmas arrives where all you need under the tree are cookies and milk instead of piles of useless gifts wrapped in polluting wrappers and cardboard. The temporary joy of opening a present should be tempered with a thought that the meaning of Christmas is about celebrating love, which should be done every day. Together with Valentine’s Day, these are possibly the phoniest of celebrations where people in their most hypocrite ways pretend for a few minutes they care for someone, when the rest of the year they fail to acknowledge the same person.

Am I being Mr. Scrooge? Perhaps, but my motivation is to bring back a journey to an existence where the world is closing its windows to a reality that we need to survive. Caring gestures and words are what we need to curb some of the loneliness many feel at this time of year. Imagine there is even a shortage of Santa Clauses this year, perhaps on strike for more money. The older Santas are retiring, putting the reindeer to pasture and the replacement Santas want to wear Lululemon clothing and be encased in plexiglass. Take your child for a photo with Santa and listen for the pre-recorded Ho Ho Ho playing in the background. Phony modern times.

For me, I look forward to the usual meal of salted cod and boiled potatoes, which every year fills my soul with the temperament of what Christmas is about and a reminder that the humbleness of spirit takes a life relevance until the next year. Wonder what the cost of cod will be this year.

So when you see someone’s spirits flagging and loneliness in their eyes, give them the gift of Christmas and help the wilting spirit to convalesce. Living in the present has never been more overrated because we pretend that only our lives matter. Coronavirus has cut a trench through time and has altered the way we live and modified something else – time itself.

Embrace this time of year and do not be fooled by the perceived importance of the sales pitches coming your way from the radio. Instead, this is the time to support each other.

All I want for Christmas is something you buy for free – Kindness.

Manuel DaCosta/MS

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