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“Saudade” – Um relatório

Editorial

A história de Portugal pode ser delineada recuando 400,000 anos quando a região que hoje é Portugal era ocupada por Homo Heidelbergensis. Desde aí desenvolveu-se uma história rica, repleta de factos interessantes assim como o de metade do “Novo Mundo” ter, um dia, pertencido a Portugal e de que é o país mais velho da Europa. Nove países têm a língua portuguesa como língua oficial. Estes são apenas alguns dos factos interessantes de uma história que hoje pode ser analisada e acolhida com orgulho pela maioria dos portugueses.

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Cartoon by Stella Jurgen

Ter uma história rica e única deveria colocar o país numa posição invejável de destaque na multidão, com cidadãos progressivos e inovadores, sem ter de justificar a nossa outrora influência mundial como se se tratasse de uma cenoura para nos providenciar uma identidade hoje em dia. Intelectualmente, os cidadãos de Portugal têm uma das universidades mais antigas da Europa e Lisboa é casa de uma das livrarias mais antigas do mundo, portanto, o conhecimento não deveria ser um obstáculo. Contudo, ao falar com pessoas de outras etnias apercebo-me que existe pouco conhecimento sobre o país e sobre a sua história. Como é possível? Itália, Grécia, França e outros, não têm um problema de reconhecimento, então porque é que Portugal tem? Esta semana, no Milénio Stadium, tentamos examinar como os outros veem os portugueses e a sua contribuição e/ou falta dela num lugar do mundo como Ontário.

Este diagnóstico poderia aplicar-se a qualquer lugar do mundo a que os portugueses chamem de casa ou, como muitos sugerem, um local temporário utilizado como meio para um regresso a casa. Durante o Roundtable da semana passada, alguém perguntou qual seria a palavra portuguesa mais popular. A palavra “saudade” é a mais popular. Para compreender o verdadeiro significado desta palavra é importante entender o impacto mental que possui. “Um profundo estado emocional de nostalgia ou profundo desejo melancólico por algo ou alguém que se adore e/ou que se ame.” Se “saudade” é a palavra mais popular entre a população luso imigrante, chega-se ao consenso de que a maioria poderá estar a travar uma batalha psicológica dentro de si a respeito do seu país de origem. Que forma triste de viver a vida em que existe uma nuvem melancólica, chamada “saudade”, a pairar sobre as nossas cabeças. Uma das razões pela qual saímos do nosso país de origem é para tornar as nossas vidas melhores. Se outro país nos acolhe, não deveríamos ser completamente leais e entregar-nos à terra que nos abriu as portas para a nossa nova vida? As conversas abundam sobre como os nossos primeiros imigrantes foram desleais, já que a sua prioridade era ganhar o máximo de dinheiro possível e regressar a casa. As gerações que se seguiram não mudaram muito e a única coisa que os impede é a incerteza se seria possível uma vida igual em Portugal. Assim sendo, onde está a lealdade para com o Canadá? Isto não tem passado despercebido a pessoas em posições de poder, como no governo, a ideia de que os portugueses, na sua maioria, não estão integrados na sociedade canadiana e assim, está em falta uma assimilação comunista, resultando na diluição da influência que se reflete em muitas áreas de autoridade da sociedade canadiana. A palavra “saudade” está a levar-nos pelo caminho errado, já que precisamos de criar uma direção influente para as próximas gerações, porque a minha geração e outras são egoístas demais para ver um caminho para o futuro.

Como previamente sugerido, várias pessoas de outras etnias diriam “Já ouvi dizer que Portugal é lindo e gostaria de visitar um dia”. Mas quando? Continuamos a ouvir que os luso-canadianos são ótimos trabalhadores, totalmente imersos no seu trabalho, mas que resistem ao crescimento intelectual. Sim, muitos deram passos em direção ao ensino superior e são tidos em alta consideração, mas aqueles que poderiam levar os portugueses ao próximo nível de integração neste país escolhem uma abordagem de indiferença ao não fazerem nada. O processo político é imperdoável para setores da população que não contribuem processual e financeiramente. Devido à “saudade” temos sido deixados para trás sem uma representação política e cultural robusta. Assim, porque é que outros nos haviam de valorizar quando nós não nos valorizamos? A nostalgia é para os pensadores que não vão a lado nenhum. Aqui e agora é onde temos de estar. Talvez porque descendemos da população céltica, lusitana, fenícia, germânica, visigoda, viking, judeus sefarditas e mouros confundimos o nosso ADN e ainda estamos a tentar perceber quem somos.

Vamos tocar outra canção de fado intitulada “Que Saudade”.

Feliz Mês de Portugal.

Manuel DaCosta/MS


“Saudade” – A Report Card

Portugal’s history can be traced back to 400,000 years where the region of present-day Portugal was occupied by Homo Heidelbergensis.  A rich history was developed since, with interesting facts such as that half of “The New World” once belonged to Portugal and that it is the oldest country in Europe.  Nine countries speak Portuguese as their official language.  These are but a few of the interesting facts about an history that today can be examined and accepted by most Portuguese with pride.

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Cartoon by Stella Jurgen

Having a unique and rich history should place the country in an enviable position to stand out from the crowd with its citizens being progressive and innovative without having to justify our once world influence as a carrot to provide an identity today.  Intellectually the people of Portugal have one of the oldest universities in Europe and Lisbon is home to the oldest bookstore in the world, so knowledge should not be an obstacle.  But in speaking to people of other ethnicities there is little knowledge about what the country is and its history.  How can this be?  Italy, Greece, France and others don’t have a recognition problem, so why does Portugal?  In this week’s Milenio Stadium, we try to examine how others view Portuguese and their contribution and/or lack thereof within a place in the world such as Ontario.  This diagnosis could apply to any place in the world that Portuguese call home or as many would suggest a temporary place used as a stepping stone to return home.  During last week’s Roundtable someone asked what the most popular Portuguese words were. The word “saudade” was most popular.  To understand the true meaning of this word it’s important to grasp the mental impact it possesses.  “A deep emotional state of nostalgic or profound melancholic longing for something or someone that one cares for and/or loves”.  If “saudade” is the most popular of all words within the immigrant Luso population the consensus may be that most are fighting a psychological battle within themselves about their country of origin.  What a sad way to live a life in which there is a melancholic cloud hovering over our heads called “saudade”.  One of the reasons we leave our country of birth is to make our lives better.  If another country takes you in, should we not be fully loyal and give ourselves to the land that opened its doors to our new life?  Conversations abound how disloyal our first immigrants were as the priority was to earn as much money as possible and return home.  Subsequent generations didn’t change much and the only thing keeping them back is uncertainty about earning an equal living in Portugal.  Where therefore is the loyalty to Canada?  It has not gone unnoticed by people in positions of power such as governance, that Portuguese for the most part, have not integrated into Canadian society and thus a communistic assimilation is lacking resulting in a dilution of influence which reverberates in many authoritative areas of Canadian society.  The word “saudade” is leading us down the wrong path as we need to create an influential direction for the next generations because my generation and others are too egotistical to see a pathway to the future. 

As previously suggested, many from other ethnicities will say “I hear Portugal is beautiful and I would like to visit someday”.  But when?  We continue to hear how Portuguese Canadians are great workers fully immersed in their work but resisting intellectual growth.  Yes, there are many who have taken steps to higher education and are held in high regard, but those who could take Portuguese to the next level of integration in this country choose a lackadaisical approach by doing nothing.  The political process is unforgiving to sectors of the population who do not contribute procedurally and financially.  Because of “saudade” we have been left behind without robust representation politically or culturally.  So why should others admire us when we don’t admire ourselves?  Nostalgia is for thinkers going nowhere.  Here and now is where we have to be.  Maybe the fact that we are descendants of Celtics, Lusitanians, Phoenicians, Germanic, Visigoths, Vikings, Sephardic Jewish and Moorish populations we confused our DNA’s and are still trying to figure out who we are.

Let’s play another fado song titled “Que Saudade”.

Happy Portugal Month.

Manuel DaCosta/MS

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