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Pobres Ricos…

Editorial

Depois da morte e dos impostos, o tópico do dinheiro predomina as discussões sobre a importância de ter os fundos necessários para financiar o nosso estilo de vida.

Enquanto os bilionários apontam foguetes fálicos para as extremidades do espaço para ver quem consegue ir mais alto e mais longe com os seus biliões, a ejaculação da retórica egocêntrica assegurará que a pessoa comum se sinta excluída da realização de sonhos tão emblemáticos, quanto mais chegar à independência financeira.

Poor Rich - editorial-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

Morgan Freeman uma vez disse “Ser pobre faz parte da jornada. Continuar pobre é uma escolha”. Será esta uma escolha? Com o desaparecimento da classe média e a separação desproporcional entre ricos e pobres, a sociedade irá sempre culpabilizar os “ricos” como sendo os criadores de uma pobreza propositada que resulta num sistema de escravatura para garantir gerações de mão de obra barata. Muitos dirão que o dinheiro não é um requisito para se ser feliz. Eu digo que isso é treta. O dinheiro é uma pré-condição básica para ter acesso às necessidades da vida. A felicidade não o vai alimentar ou vestir, mas o dinheiro sim. A educação é sempre propagada como sendo a escapatória da casa dos pobres para a penthouse. Existe um ditado que diz “aqueles que não possuem conhecimento, não podem sonhar”, mas eu sugeriria que alguns dos empreendedores mais bem-sucedidos não têm uma educação universitária, por isso, será que podemos culpar a literacia pela disparidade do estatuto social dos ricos e dos pobres? Talvez, mais do que qualquer outra coisa, devêssemos culpar o desequilíbrio existente na má gestão de assuntos financeiros por parte dos governos.

Outro problema muitas vezes citado é o fator da cor e de que o racismo cria a falta de oportunidades para muitos. Apesar de não concordar totalmente com Morgan Freeman, existe uma ponta de verdade naquilo que sugere. Muitos simplesmente não querem trabalhar e a preguiça é suportada pelos governos a troco de ganhos políticos. A Covid-19 expôs uma nova classe de novos preguiçosos, onde existe uma preferência em ficar em casa e continuarem inativos em vez de contribuírem como membros da sociedade. A ideia de que merecemos que nos paguem só porque os problemas do mundo nos incomodaram é anormal e irá agravar ainda mais a diferença abismal entre ricos/pobres.

A guerra mental entre os que têm e os que não têm é apenas o início. A riqueza não implica vender a alma, mas as implicações das palavras condescendentes, de pessoas como Bezos, que circulam para rebaixar os pobres, demonstra uma imagem de empresários que não se preocupam e que irão simplesmente fazer o que precisa de ser feito para se tornarem mais ricos. A riqueza não é um pecado, se acumulada com integridade e gasta com humildade. São muitos os que acumulam fortunas através de medidas corruptíveis. Veja Portugal por exemplo, um país magnifico que criou Salgado, Berardo, Vieira e muitos outros que utilizam um sistema enraizado no tecido da nação para explorar e rebaixar o cidadão comum trabalhador. O tecido económico de variadas partes do mundo está a desintegrar-se devido a forças competitivas baseadas em processos de pensamento e na gula política. Veja Cuba como um exemplo de um país que não é funcional devido aos abusos dos direitos humanos. Porque é que um país tem de existir se os seus cidadãos não podem respirar livremente e participar num sistema económico que lhes permita o básico da vida e da liberdade?

No início do século, as economias em desenvolvimento eram a fonte de um otimismo ilimitado e ambição feroz. Hoje, a maioria está em desordem, mas os ricos continuam a prosperar e a exercer cada vez mais influência na forma como vivemos.

Talvez a solução seja ser rico em mente, onde o espírito, as relações e a felicidade representam riqueza que chegue; contudo, estar financeiramente pobre significa que se está também pobre mental e emocionalmente. Durante o resto da sua vida tente balançar estes dois factos. Talvez Bezos, Musk e Branson permitir-nos-ão viajar nos seus pequenos foguetes para observar aqueles que só podem sonhar com o espaço ao olhar para as estrelas. Mostre-me o dinheiro que eu mostro-lhe a felicidade.

Fique bem.

Manuel DaCosta/MS


Version in english

Poor Rich…

Next to death and taxes, the topic of money predominates discussions about the importance of having the necessary funds to finance our way of life.

As billionaires point their phallic rockets to the outer edges of space to see who can go higher and further with their billions, the ejaculation of egocentric rhetoric will ensure that the common person will feel excluded from ever realizing emblematic dreams, let alone reach financial independence.

Morgan Freeman once said “Being broke is part of the journey.  Staying broke is a fu…ing choice”.  Is it a choice?  With the disappearing middle class and disproportionate separation of rich and poor, society will always blame the “haves” as the creators of purposeful poverty resulting on a system of enslavement to ensure generations of cheap labour.  Many will tell you that money is not a requirement for being happy.  I say hogwash.  Money is a basic pre-condition to have the necessities of life.  Happiness is not going to feed or cloth you, but money will.  Education is always touted as being the escape from the poorhouse to the penthouse.  There’s a saying that “those who don’t have knowledge can’t dream”, but I would suggest that some of the most successful entrepreneurs don’t have a college education, therefore can we really blame literacy for the disparity in social status of rich and poor.  Perhaps more than anything else we should blame mismanagement of financial affairs by governments for the existing imbalance. 

Another often cited problem is the colour factor and that racism creates lack of opportunities for many.  While I don’t fully agree with Morgan Freeman, there is a grain of truth to what he’s suggesting.  Many simply do not want to work and the laziness is supported by governments for political gain.  Covid-19 has exposed a class of nouveau lazy where the preference is to stay inactive at home instead of being contributing members of society.  The thought that we deserve to be paid just because world problems have inconvenienced us is abnormal and will further exacerbate the abysmal difference of rich/poor.

The mental war of the haves and those who don’t is just beginning.  Wealth does not require you to sell your soul but the implications from condescending words, which are circulated to demean the poor from people like Bezos paints a picture of entrepreneurs that they don’t care and will simply do what needs to be done to be richer.  Wealth is not a sin if accumulated with integrity and spent with humility.  Too many accumulate prosperity through corruptive measures.  Look not further than Portugal, a wonderful country that has produced Salgado, Berardo, Vieira and many others who use a system ingrained in the fabric of a nation to exploit and demean the common hard-working citizen.  The economic fabric of many parts of the world is disintegrating because of competitive forces based on thought processes and political gluttony.  Look at Cuba as an example of a country that is non-functional due to human rights abuses.  Why does a country need to exist if its people can’t breathe freely and share in an economic system that allows the basics of life and liberty?

At the start of the century, developing economies were a source of unbounded optimism and fierce ambition.  Today most are in disarray, but the rich continue to prosper and exert more influence than ever before on how we live.

Perhaps the solution is to be rich in mind only where spirit, relationships and joy is enough wealth; however, being broke financially means you are also broke mentally and emotionally.  Try and balance these two facts for the rest of your life. Maybe Bezos, Musk and Branson will allow us to fly in their little rockets to look down at those who can only dream of space by looking at the stars. Show me the money and I will show you happiness.

Be well.

Manuel DaCosta/MS

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