Editorial

Oh Canada – We Stand on Guard for Thee

Créditos: DR.

Ao refletir sobre o meu patriotismo em relação ao Canadá, surgiram-me mais perguntas do que respostas. A interrogação mais importante que me ocorre é esta: “Sou um bom patriota canadiano? Ou sou apenas alguém que abana a bandeira quando dá jeito?” A minha incapacidade de responder com convicção fez-me sentir, por momentos, um pouco traidor ao meu país. Mas depois ouvi Canadian Railroad Trilogy, de Gordon Lightfoot, e The Hockey Song, de Stompin’ Tom Connors, e o meu ânimo elevou-se. Estas canções conseguem unir o país através da visão de uma comunhão de espíritos no vasto território que habitamos.

Este tema do Milénio surge da preocupação com a diluição do amor ao país e com a questão de saber se é possível ser plenamente patriota num país como o Canadá. Talvez seja mais fácil ser patriota em países antigos, com histórias longas, mas essa ideia está a ser posta em causa. No Reino Unido, em 2025, um inquérito sugere que apenas 32,4% da população se considera “bastante nacionalista”, ficando o restante pouco ou nada nacionalista. Isto alimenta a teoria de que o patriotismo está em declínio nas democracias, devido a guerras mentais geopolíticas. Eu iria mais longe e argumentaria que o patriotismo pode ser mais forte em países autocráticos, onde é muitas vezes vivido em segredo, mas onde existe uma fome de levantar o véu da opressão e gritar, sem ambiguidades, o amor à pátria.

Um país como o Canadá, quase impossível de unificar em pensamento e propósito, junta-se sobretudo em datas simbólicas, como o aniversário nacional, ou durante grandes eventos desportivos. A união cultural é rara, pois cada província e território encara as suas tradições e populações de forma distinta. Um exemplo das pressões divisionistas que afetam a perceção de favorecimento de uma cultura em detrimento de outra é o facto de, em 2025, 42% das pessoas convidadas a obter residência permanente serem francófonas.

Voltando às minhas próprias inquietações quanto ao amor por este país, pergunto-me muitas vezes se o Canadá alguma vez decidiu qual deve ser o seu lugar no mundo. Somos um país das Américas, mas estamos constantemente a tentar vender a nossa alma aos licitadores mais altos noutras partes do mundo, como acontece atualmente com a China. Talvez consideremos as Américas, com exceção dos Estados Unidos, inferiores para nos alinharmos com elas, mas confiar em ditadores de meia-tigela parece não ser problema. Não ouço muitas pessoas apregoarem a excecionalidade do Canadá; em vez disso, tornámo-nos um país de propagadores de negativismo, contaminando um lugar de que sempre nos orgulhámos.

O nosso patriotismo e a nossa independência estão a ser atacados por um sentimento de desespero, e a nossa liderança parece não ter qualquer noção do que os canadianos realmente querem. Viajamos pelo mundo à procura de oportunidades para melhorar o país, sem perceber que estamos a vender a nossa alma cultural e intelectual a sociedades regressivas que nunca nos trarão benefícios reais. O Canadá tem tudo, exceto liderança política visionária. Continuemos, então, a fazer prognósticos sobre o amanhã e a esperar que surja um feiticeiro que nos abra os olhos.

Ter uma consciência patriótica não é ser separatista, mas construtor de pontes. É abraçar o país e todas as suas gentes, erguendo barreiras espirituais e culturais contra aqueles que promovem, de forma agressiva, atitudes contrárias ao Canadá.

Os nossos problemas não se resolverão esvaziando garrafas de uísque ou indo passar férias à Flórida. Os nossos obstáculos terão de ser resolvidos internamente, com inteligência e recursos próprios. E isso não acontecerá sem unidade e cooperação.

Enquanto espero, o meu patriotismo, imperfeito como é, não desaparecerá.


Editorial in english

Oh Canada – we stand on guard for thee

As I contemplate my patriotism to Canada, more questions than answers resulted from this ponderance. The most important inquiry in my mind being “Am I a good Canadian Patriot? Or am I simply a good flag waiver when convenient?” Furthering my inability to provide an answer with conviction made me feel a bit of a traitor to my country. But then I listened to Gordon Lightfoot’s “Canadian Railroad Trilogy” and Stompin’ Tom Connor’s “Hockey Song” and my spirits were lifted because these songs are able to bring the country together through their vision of what a union of spirits in the vast land we live in should be about.

This Milenio topic came about out of concern about the dilution of love of country and the question pertaining to the concern about if it’s possible to be fully patriotic to a country like Canada. Perhaps it’s easier to be patriotic to the old countries with long histories but that assumption is being challenged. In Britain in 2025, a survey suggests that only 32.4% of the population are “quite nationalistic” with the rest of the population not very nationalistic at all. This promotes the theory that patriotism is on the decline in democracies because of geopolitical mind wars and I would further argue that patriotism may be stronger in autocratic countries where it’s mostly practiced in secret but where there’s a hunger to lift the veil of freedom and scream out loud that they love the country unequivocally. A country like Canada, which is almost impossible to unify in thought and purpose, comes together when there’s a national birthday or an important sports event. Cultural unison is rare as each province and territory visualizes their unique traditions and populations separately from each other. As an example of divisionary pressures which affect the perceptions of favouring one cultural aspect over another is the fact that in 2025, forty two percent of people invited for permanent residency were French speaking.

Returning to my own challenges regarding my love for this country, I often wonder if Canada has ever decided what their placement in the world should be. We are a country in the Americas but always trying to sell our souls to the highest bidders in other parts of the world as we are currently doing in China. Perhaps we consider the Americas inferior, except the USA, to align ourselves with, but trusting tin pot dictators is just fine. I do not hear a lot of people trumpet the exceptionality of Canada and instead we seem to have become a country of negative procreators pandemizing a place that we have always been proud of. Our patriotism and independence is being attacked by a sense of desperation and our leadership has no concept of what Canadians really want. We travel the world looking for opportunities to make our country better without realizing that we are selling our cultural and intellectual soul to regressive societies who will never provide us with any benefit. Canada has everything except visionary political leadership. Let’s keep prognosticating about tomorrow and hope that a wizard shows up to open our eyes.

Having a patriotic conscience is not about being a separatist but a bridge builder. It’s about embracing a country and all its people and placing spiritual and cultural barriers against those who aggressively promote contrarian attitudes towards Canada.

Our problems will not be resolved by emptying bottles of whiskey or traveling to Florida on vacation. Our obstacles will have to be resolved from within, using our intelligence and resources. This won’t happen without unity and co-operation.

While I wait, my patriotism, flawed as it is, will not dimmish.

Manuel DaCosta/MS

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