Editorial

O Ano que Foi

Créditos: DR.

À medida que 2025 chega ao fim, menos pessoas do que se pensa fazem um balanço do que este ano representou para si, optando antes por se concentrarem no novo ano que agora começa. Aqueles que escolhem fazer uma reflexão interior, procurando os altos e baixos proporcionados pelos acontecimentos de 2025, acabam muitas vezes com um sentimento de desespero quando todos os fatores são considerados. Como diz o ditado, todos os caminhos vão dar a Roma, mas neste caso a história virou-se e o foco passou a ser o rei do mundo que vive em Washington. Do seu poleiro dourado numa Casa Branca, esse rei conseguiu ofuscar e desestabilizar o equilíbrio de poderes, implementando uma pandemia de cobardia e incerteza nunca antes vista. Os domínios transformados cruzam-se entre a geopolítica, as transformações económicas, os avanços tecnológicos e a ação climática.

A esta altura, estamos todos cansados de guerras e conflitos, que se estendem por todas as regiões do mundo. Choramos os mortos, desesperamo-nos com a destruição, preocupamo-nos com os deslocados e inquietamo-nos com as nossas casas e as terras que habitamos. Sentimo-nos nervosos e pessimistas em relação ao futuro dos nossos filhos e dos nossos idosos, e ficamos desalentados porque o último ano não nos deu as respostas que procurávamos e que trouxessem uma renovação espiritual, abrindo mares e caminhos para a liberdade e a renovação dos nossos corações e almas. Para onde quer que olhemos parece haver uma atitude fatalista perante a vida, com muito pouca alegria a contrabalançar aquilo que sai da boca dos reis e rainhas que deveriam representar a nossa sensibilidade perante a humanidade que nos rodeia.

Sim, o mundo registou avanços tecnológicos incríveis em 2025, na inteligência artificial, na robótica, na biotecnologia e na exploração espacial, mas também nos tornámos especialistas no desenvolvimento de meios de destruição cada vez mais eficientes, que arrasaram cidades e países e, com eles, milhares de pés que nunca mais voltarão a calçar sapatos. Somos obrigados a perguntar quanto sangue pode a terra ainda absorver antes de finalmente abrirmos os olhos e dizermos ao rei de Washington que as suas florais douradas coladas às paredes deveriam também ter gotas de sangue, para complementar os factos históricos do seu tempo?

Olhando para o futuro do mundo, vemos países a recuarem ao decidir ignorar todos os aspetos dos anteriores planos climáticos, regressando aos combustíveis fósseis, com a promessa de que, supostamente, voltarão a olhar para esses planos algures no futuro, quando o rei já estiver morto.

2025 foi um ano decisivo na definição da trajetória futura do mundo em múltiplas dimensões. Com um olhar crítico, não posso dizer que seja um ano do qual me orgulhe enquanto ser humano que nele viveu. Entre as hesitações da indecisão e a aceitação da mediocridade na minha própria vida, as particularidades que me definem enquanto pessoa foram mais questionadas do que nunca. 2025 foi um ano que abriu uma janela de realidade, mostrando-me quem me rodeia e a sua lealdade, tanto a nível pessoal como profissional. Essa janela mostrou-me a quem devo a minha fidelidade pessoal, mas, mais triste ainda, revelou-me que as forças da mentira estão por todo o lado e que é preciso agir para reparar a porta aberta que sempre mantive. Talvez até uma janela esteja aberta demais.


Editorial in english

The Year that was

As 2025 comes to an end, less people than you think will assess what the year represented for them, choosing instead to concentrate on the new year that’s upon us.  Those who choose to introspectively search for the highs and lows proportioned by the events of 2025 come away with a sense of despair when all the parameters are taken into account.  As the saying goes that all roads lead to Rome, in this case history has pivoted and the focus has become the king of the world who lives in Washington.  From his gilded perch in a white house, the king has managed to upstage and upset the balance of power and implemented a pandemic of cowardice and uncertainty never before seen.  The cross of domains that have been transformed cover geopolitics, economic transformations, technological advancements and climate action.  

By now we are all tired of wars and conflicts, which cover every region of the world. We are crying for the dead, despairing at the destruction, worrying about the displaced and concerned about our homes and lands we inhabit.  We are nervous and pessimistic about the future of our children and our elderly and we become despondent that the past year didn’t provide the answers we were seeking that would bring a spiritual renewal opening up the seas to provide the freedom and renewal of our hearts and souls.  Everywhere we turn appears to be a fatalistic attitude to life with very little joy to offset what comes out of the mouths of the kings and queens that were to represent our sensibilities to the humanity that surrounds us.  Yes, the world made incredible technological advances in 2025 in AI, robotics, bio-technology and space exploration, but we also became experts in the development of efficient destructive measures that leveled cities and countries and with it, thousands of feet which will never fill shoes again.  We have to wonder how much blood the soil can absorb before we finally open our eyes and tell the king of Washington that his gilded florals of gold glued to his walls should also have droplets of blood to complement the historical facts of his time.

Looking at the future of the world with countries having retracted by deciding to ignore every aspect of the previous climate plans by returning to fossil fuels, supposedly they will look at the plans again sometime in the future when the king is dead.

2025 has been a defining year in shaping the future trajectory of the world across multiple dimensions.  Using my critical eye, I can’t say that it’s a year I’m proud of as a human being living in it.  From the vagaries of indecision to the acceptance of mediocrity in my life, the quirks that provide personal definition were questioned more than ever.  2025 is a year that opened a window of reality to show me those around me and their loyalty both personal and professional.  The window showed me who to give my personal fidelity but saddest of all it conveyed that the forces of deceitfulness are all around me and action is to be taken to mend the open door that I have always had.  Maybe even a window is too wide open.

Manuel DaCosta/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Não perca também
Close
Back to top button

 

O Facebook/Instagram bloqueou os orgão de comunicação social no Canadá.

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER