Editorial

Mulheres – a outra metade do céu

Editorial

O dia 8 de março de 2021 marca o Dia Internacional da Mulher. O tema deste ano é “escolher desafiar” e “mulheres na liderança: conquistar um futuro igualitário num mundo de covid-19”.

Em 1977, as Nações Unidas reconheceram este dia e declararam o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher a nível mundial. É um dia para educar as pessoas sobre os direitos da mulher e o direto à igualdade. Neste dia, celebram-se as conquistas culturais, sociais e políticas da mulher.

Mulheres  a outra metade do céu-mundo-mileniostadium
Cartoon by Stejja Jurgen

Ao escrever os últimos dois parágrafos, passam-me várias questões pela cabeça. Desde a declaração de 1977 e os 44 anos que se seguiram, as mulheres continuam a afirmar que o mundo ainda permanece um desafio para alcançar justiça e igualdade. Uma guerra longa e prolongada para se obterem mudanças. Porquê? Quais são os obstáculos que impedem as mulheres de alcançar o que procuram? Talvez a igualdade de género não seja um objetivo alcançável devido às estratégias implementadas atualmente para abrir um caminho que ainda está a ser procurado. Colocar ênfase em situações abstratas supondo que são os homens os causadores do fracasso das mulheres, não trará as mudanças que as mulheres procuram. De qualquer forma, o que é igualdade de género? As mulheres são quem são e a suposição é de que, salvo algumas exceções, não querem ser como os homens.

Um aspeto importante do Dia Internacional da Mulher é celebrar as conquistas das mulheres. Será que as mulheres querem realmente celebrar as suas conquistas, correndo o risco de serem comparadas com os homens? Sem dúvida que as conquistas são triunfos pessoais, para consumo íntimo, em direção a um plano para fazer melhor. Os obstáculos que as mulheres têm de ultrapassar nas suas vidas pessoais e profissionais serão sempre superiores aos dos homens. Embora alguns possam interpretar isto como sendo algo abrangente, a realidade é que as conquistas das mulheres não podem ser comparadas a qualquer feito tangível de um homem, devido às variadas tarefas que se espera que as mulheres desempenhem. Justiça e dignidade são virtudes pelas quais vale a pena lutar, no entanto, a igualdade de género irá requerer competências especiais onde a genética das mentes masculinas terá de ser reprogramada para ver o mundo a partir de uma perspetiva feminina.

A celebração do 8 de março será preenchida com narrativas embelezadas, visibilidade, igualdade, colaborações estratégicas, confiança e valorização, conscientização e pensamento positivo. Porém, todos os aspetos positivos a serem celebrados têm de ser contrabalançados para incluir várias mulheres sem voz, que sofrem com os fardos da sociedade porque ninguém as ajuda.

Alguns desafios que as mulheres enfrentam hoje são semelhantes aos que enfrentavam em 1977.

– As mulheres reformam-se com uma riqueza 30% inferior à dos homens;

– A probabilidade de uma mulher alcançar cargos executivos é 25% menor comparando com um homem.

– Mesmo desempenhando o mesmo tipo de função executiva, as mulheres têm um rendimento menor que os homens.

– As mulheres são marginalizadas e sexualizadas devido à sua aparência, a sociedade pronuncia-se independentemente de qualquer mensagem positiva.

Estes são apenas alguns dos desafios enfrentados pelas mulheres numa sociedade moderna onde as aparências, em vez do mérito, ditam o sucesso. Recentemente vi um programa de televisão produzido por mulheres, onde são retratadas a lutar por uma determinada posição, a traírem-se umas às outras, um programa de inveja e promiscuidade em que as personagens principais demonstram a suposição estereotipada há muito sustentada por muitos de que as mulheres não gostam umas das outras, nem se apoiam. Atualmente, a pornografia é uma das indústrias mais lucrativas do mundo. O número de olhos focados particularmente nas mulheres e no consumo de aspetos privados da sexualidade não podem ser úteis para a causa das mulheres.

Vamos celebrar, mas apenas o facto de que o respeito e inclusão são necessários para trazer harmonia ao mundo. A igualdade de género forçada não irá funcionar. Apoiar e abraçar a mudança é um processo lento, mas pode ser feito e começa com muitos na sociedade não olharem para a mulher como um objeto sexual quando ela passa. Parece simples, não é?

As mulheres têm várias falhas. Os homens apenas têm duas, tudo o que fazem e tudo o que dizem.

As mulheres não precisam de um dia, mas sim de uma vida toda em que demostramos o nosso respeito.

As estrelas no céu são vossas.

Manuel DaCosta/MS


Women-the other half of the sky

 

March 8th-2021 is International Women’s Day. This year’s theme is “choose to challenge” and “women in leadership: achieving an equal future in a covid-19 world”.

In 1977 the United Nations recognized the day and declared March 8th as International Women’s Day across the globe. It is a day to spread awareness among people regarding women’s rights and equality. This day celebrates the cultural, social and political achievements of women.

Mulheres a outra metade do céu-mundo-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

As I wrote the previous two paragraphs many questions come to mind. Since the declaration in 1977 and for the next 44 years, women continue to declare that the world still remains a challenge to achieve fairness and equality. That’s a long and protracted war to achieve change. Why? What are the obstacles preventing women from achieving what they are looking for? Perhaps a change in a society that favours men to the detriment of women? Maybe gender equality is not an achievable goal because of the strategies currently being implemented to open the ultimate path being sought. Placing the emphasis on abstract assumptions that men are the cause for the failure of women to achieve will not bring about the changes women are looking for. What is gender equality anyway? Women are who they are and the assumption is that with some exceptions they do not want to be like men.

An important aspect of the International Women’s Day is to celebrate women’s achievements. Do women really want to celebrate their accomplishments at the risk of being compared to men? Surely accomplishments are personal triumphs for intimate consumption towards a plan to do better. The hurdles that women have to overcome in their personal and professional lives will always exceed those of a man. While some may interpret this as being all encompassing, the fact is that a women’s achievements cannot be measured against any tangible feat by any male counterpart because of the varied tasks females are expected to perform. Justice and dignity are feats worth fighting for but gender equality will require special skills where the genetics of male minds will have to be reprogrammed to view the world from a female perspective.

The celebration of March 8th will be filled with flowery narratives including celebration, visibility, equality, strategic collaboration, trust and appreciation, awareness and positive thinking. However, all the positive aspects being celebrated have to be counterbalanced to include many women without a voice who are suffering the burdens of society because there is no one to help them.

Some challenges women face today are similar to 1977.

• women retire with 30 per cent less wealth than men

• women are 25 per cent less likely than men to reach executive positions in corporate boardrooms

• females earn less than men for similar type of work in executive positions

• women are marginalized and sexualized because of appearances regardless of any positive messaging society may trumpet.

These are only a few of the challenges faced by women in a modern society where appearances rather than performance dictate success. Recently watched a television show produced by women where females are portrayed fighting for position, betraying each other, jealousy and promiscuity shown by the main characters revealing stereotypical assumptions long held by many that women do not like or support each other. Pornography is one of the most lucrative industries in the world today. The number of eyes looking at mostly women and consuming aspects of deprived sexuality cannot be helpful to women’s causes.

Let’s celebrate but only the fact that respect and inclusion are necessary to bring harmony to the world. Forced gender equality will not work. Nurturing and embracing change is a slow process but it can be done and it starts by many in society not looking at a woman as a sex object when she walks by. Sounds simple eh?

Women’s faults are many. Men only have two and they are everything they do and everything they say.

Women don’t need a day, they need a lifetime of our respect.

The stars in the sky are yours.

Manuel DaCosta/MS

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