Editorial

Inflação: Vá em grande e vá à falência

 

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Com o verão a perder o seu calor e a dar espaço ao outono, a população mundial está a enfrentar dificuldades causadas por pressões inflacionárias que mudarão a sobrevivência financeira básica de milhões de pessoas. Os últimos 10 a 15 anos de dinheiro barato e inflação baixa embalaram as pessoas para dormirem e foram ignorados princípios financeiros básicos. A frase “Deixa os bons tempos acontecer” (let the good times roll) girou, resultando numa nova frase “acorda e cheira aquilo que a inflação está a cozinhar.” Viver além das nossas posses tornou-se numa realidade à medida que ignoramos os princípios básicos da responsabilidade financeira pessoal.

O que é inflação?

É simples, a inflação é a perda gradual do poder de compra refletida num amplo aumento dos preços de bens e serviços ao longo do tempo, corroendo o poder de compra tanto dos consumidores como das empresas. Por outras palavras, o seu dólar não o vai levar tão longe como no dia anterior ou até uns meses antes. Para graus de comparação, em 1970, o ano da minha chegada ao Canadá, o copo de café médio custava 25 cêntimos, em 2019 o custo já tinha sido elevado a $1.59, portanto, você conseguiria comprar três copos de café em 2019, ao invés de 20 copos em 1970. Inflação é isso.

À medida que perdemos poder de compra em muitas das nossas necessidades básicas, como comida, serviços, gasolina e abrigo, inserem-se desafios stressantes nas nossas vidas, agravando ainda mais os tempos difíceis que todos vivemos nos últimos dois anos e meio. Numa economia saudável, a inflação é tipicamente por volta dos 2 %, sendo o que os economistas consideram que providencia estabilidade de preço às nossas vidas. Infelizmente, esta estabilidade providenciou um falso sentido de segurança financeira para muitos.

Com o mercado imobiliário em alta e a baixa taxa de juro várias pessoas apostaram que essa estabilidade perpetuaria e lhes garantiria a oportunidade de melhorar as suas vidas. Infelizmente, o mundo não é um lugar estável e eventos como guerras e pandemias podem atrapalhar a normalidade em que baseámos o progresso positivo para os nossos futuros. Os bancos e outras instituições financeiras, que inicialmente o recebiam de braços abertos para assegurar os seus investimentos, hoje não o querem quando realmente precisa deles. Estas instituições sem rosto, desprovidas de cuidado ou empatia, não terão qualquer problema em tirar de si aquilo que sacrificou tanto para acumular. Os sonhos das pessoas estão a ser frustrados e parece que o fim dos “dias ensolarados” está só a começar.

Na América do Norte, muitos são defensores do aumento das taxas de juro para níveis muito mais altos, sugerindo que é a única forma de conter a inflação e retomar as taxas para níveis de 2%, no entanto, as taxas continuam a subir a um nível enfurecido, o que significa que a taxa de juro pode ter de subir acima de 10%.

Quantos milhões no Canadá perderão as suas casas quando se atingirem esses níveis previstos?

O que fazer? A resposta não é entrar em pânico, mas ajustar as nossas vidas para acomodar as condições inflacionárias é um passo que cada um de nós deve tomar. Muitos não serão poupados dos estragos da ganância da sociedade e do tratamento desumano daqueles que mais precisam.

Esta semana, no Milénio Stadium providenciamos-lhe informação e algumas ferramentas que pode implementar nas suas vidas para aliviar alguma da carga financeira dos próximos tempos. Está na hora de regressar à vida que está ao nosso alcance, e isso inclui os nossos governos com a implementação de políticas que possam aliviar a carga dos cidadãos mais necessitados. Num país rico como o Canadá, isso deveria ser possível, se tivéssemos a liderança necessária.

Inflacione lentamente.

Manuel DaCosta/MS

 


Editorial in english

 

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Inflation – Go Big and Go Broke

As summer loses its heat and gives way to autumn, the world’s population is experiencing hardships caused by inflationary pressures which will change the basic financial survivability of millions of people. The last 10 to 15 years of cheap money and low inflation lulled people to sleep and basic financial principles were ignored.

The phrase “let the good times roll” has pivoted, resulting in a new phrase “wake up and smell what inflation is cooking.” Living beyond our means has become a reality as we ignored the basic principles of personal financial responsibility. Many are now struggling to understand what the word inflation is and what it means for their future financial stability. What is inflation? Simply, inflation is the gradual loss of purchasing power reflected in a broad rise of prices of goods and services over time, eroding purchasing power for both consumers and businesses. In other words, your dollar will not go as far today as it did yesterday or a few months ago. For comparison purposes, in 1970, the year of my arrival in Canada, the average cup of coffee cost was 25 cents, by 2019 the cost had climbed to $ 1.59, so you would have been able to buy three cups of coffee in 2019 versus 20 cups in 1970. That’s inflation.

As we lose purchasing power on many of our basic needs, such as food, utilities, gasoline and shelter stressful challenges insert themselves into our lives further compounding the difficult times we have all experienced the last two and a half years. In a healthy economy, inflation is typically in the range of two per cent, which economists consider to provide price stability for our lives. Unfortunately, this stability provided a false sense of financial security for many and with a heated real estate market and low interest rates, many gambled that this stability would remain and provide them with an opportunity to better their lives. Unfortunately, the world is not a stable place and consequential events such as wars and pandemics can disrupt the normalcy on which we based the positive progress of our futures.

Banks and other financial institutions which originally received you with open arms to secure your investments, don’t want you today when you really need them. These faceless institutions devoid of care or empathy will have no problem in taking from you what you sacrificed to accumulate. People’s dreams are being dashed and it would appear that the dismantling of “sunny days” is just beginning. Many in North America are proponents of raising interest rates to much higher levels, suggesting that it’s the only way to contain inflation and return the rates to 2% levels, however, the rates continue to go up at a furious level so it means interest rates may have to rise above 10%. How many millions in Canada will lose their homes at these levels of expected rates?
What to do? Panicking is not the answer but adjusting our lives to accommodate the inflationary conditions is a step that each of us should take.
There will be many that will not be spared from the ravages of societal greed and inhumane treatment of those in need. In this week’s Milenio Stadium we are providing you with information and some tools you may implement in your lives to ease some of the financial burdens of the coming times. Time to return to live within our means, and that includes our governments by implementing policies that may ease some of the burdens of the neediest citizens. In a rich country like Canada, it should be possible, if we only had the necessary leadership.
Inflate slowly.

Manuel DaCosta/MS

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