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As Olimpíadas da Covid

Editorial

Tóquio e o Japão abriram as suas portas ao mundo como anfitriões dos Jogos Olímpicos de 2020. Receber os jogos durante uma pandemia, e com 80% dos japoneses contra procederem com este evento monumental, é um exercício de poder de pensamento positivo ou pura loucura. O Comité Olímpico está a apostar que o mundo irá abraçar os jogos, mesmo sem espectadores, e que irá convencer os telespectadores de que o evento está relacionado com o poder do desporto, ao invés dos grandes anúncios para os patrocinadores dos jogos.

Covid Olympics -editorial-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

Foram gastos biliões de dólares em infraestruturas e planeamento do evento e o suor e lágrimas dos atletas irão finalmente manifestar-se na abertura das cerimónias a 23 de julho, de 2021, ou um ano mais tarde do que o que estava originalmente programado. Supostamente os Jogos Olímpicos baseiam-se na ideia de que ao unir o mundo através do desporto, proporcionando a promoção de ideias culturais harmoniosas num só lugar, terá como consequência um mundo mais inclusivo e pacífico para todos. Claro que este é um elixir baseado em expectativas irrealistas. O mundo está em guerra em vários aspetos, tal como pode ser observado nos países que se esforçam para combater o racismo, a islamofobia e na luta contínua pelos direitos dos homossexuais, portanto, os Jogos não mudam nada. Os biliões que são gastos no planeamento e implementação dos Jogos Olímpicos deixam esses países com dívidas que levam décadas a dissipar. Estes fundos seriam mais bem investidos em melhoramentos sociais, se é isso que estão a tentar atingir. A questão que se põe é: serão os Jogos Olímpicos sobre a glória triunfante que os atletas atingem através dos sacrifícios incríveis que fazem para chegar ao pódio ou sobre o oportunismo económico onde uma medalha significa uma vida de liberdade financeira?

As lutas políticas internas que se sucedem nas organizações desportivas para escolher os atletas sugerem que a saúde financeira da liderança destas instituições sobrepõe-se ao atleta. Os elementos de corrupção em áreas como o boxe tornam-se evidentes no processo de seleção de atletas, mas ainda assim o Canadá irá enviar 371 atletas para os Jogos, sendo este o maior contingente desde 1984. Eric Myles, o diretor desportivo do Comité Olímpico canadiano, sugere que estes Jogos Olímpicos serão especiais devido à longa caminhada até se chegar a Tóquio, contudo pode-se argumentar que sujeitar os atletas a um ambiente perigoso num país que está a ser devastado pela Covid não é especial nem recomendado. Os promotores destes Jogos terão muito que explicar se acontecer algum desastre que afete os jovens olímpicos.  A Meaghan Benfeito, descendente de luso-canadianos, irá novamente representar o Canadá. A Meaghan simboliza a resiliência necessária para aguentar os treinos e os sacrifícios pessoais para chegar aos Jogos Olímpicos. Cada vez mais as atletas do sexo feminino dominam o desporto amador, sendo que 60% do contingente canadiano é feminino, mas pode-se argumentar que, devido aos desafios da Covid, poderemos não estar a enviar o nosso melhor para Tóquio. No entanto, será que isso importa? Aqueles que lá chegam estão a conquistar o sonho de uma vida, por isso vamos deixá-los aproveitar a notoriedade. Esses competidores de elite que desistiram com motivações de natureza pessoal ou política não são verdadeiros olímpicos e devem permanecer em casa, sem elogios.

Como nação, o quão inspirado está o Canadá sobre estes jogos e será que o país assistirá com a habitual fanfarra associada a esta competição? Talvez sim, contudo, até agora, a habitual euforia tem estado bastante silenciada.

Vamos remover o comercialismo do nosso apoio aos atletas e simplesmente desfrutar da proeza atlética dos homens e mulheres que investiram anos das suas vidas para chegar aqui. Estar com as nossas barrigas salientes, sentados no sofá, a ver espécimes de barriga lisa a demonstrar as suas capacidades deve ser incentivo suficiente para, pelo menos, irmos dar uma caminhada ou perder umas gramas.

Força Meaghan Benfeito! Os portugueses e os canadianos estão orgulhosos de ti, por estares nas Olimpíadas de (Covid) Tóquio.

Fique bem.

Manuel DaCosta/MS


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Covid Olympics -editorial-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

Covid  Olympics

Tokyo and Japan have opened their doors to the world as hosts of the 2020 Olympic Games.  Hosting the games during a pandemic and with over 80% of Japanese against proceeding with this monumental event is an exercise in the power of positive thinking or sheer lunacy. 

The Olympic committee is gambling that the world will embrace the games, even without spectators, and convince television viewers that this event is about the power of sport rather than a big commercial for the games’ sponsors.  Billions of dollars spent on infrastructure and planning of the event and the sweat and tears of athletes will finally come together with the opening ceremonies on July 23rd, 2021, or one year later than originally scheduled.  The Olympic Games purportedly are based on thinking that by bringing the world together through athletics, the fostering of harmonious worldly cultural ideals in one place will result in a more inclusive and peaceful world for all.  This of course is a panacea based on unrealistic expectations.  The world is at war in many aspects as can be observed by countries scrambling to address racism, Islamophobia and the continuing fight for gay rights so the games change nothing.  The billions being spent on planning and implementation of the Olympics saddle countries with debts which take decades to erase.  These funds could be better used for societal social improvements if that’s what we are trying to achieve.  The question becomes:  Are the Olympics about the glory of triumphant athletes achieved because of the incredible sacrifices they make to reach a podium or about economic opportunism where a medal can mean a lifetime of financial freedom? 

Political infighting by the various sporting organizations to choose athletes seem to suggest that the financial health of the leadership of these institutions is paramount rather that of the athlete.  Elements of corruption in areas such as boxing is apparent in the process to choose athletes but even so  Canada will be sending 371 athletes to the games which is the largest contingent since 1984.  Eric Myles, the COC Chief Sport Officer suggests that these Olympics will be special because of the long road travelled to get to Tokyo but it could be argued that subjecting athletes to a dangerous environment in a country being ravaged by Covid is not special or recommended.  The promoters of these games will have much to explain if disaster strikes, which will affect the young Olympians. 

Meaghan Benfeito of Luso Canadian descent will once again represent Canada.  Meaghan epitomizes the resilience required to endure the training and personal sacrifices to reach the Olympics.  More and more female athletes are dominating amateur sports with 60% of the Canadian contingent being female but it can be argued that because of Covid challenges we may not be sending our best to Tokyo.  But does that really matter? Those who made it are fulfilling a lifetime dream so let’s let them enjoy the spotlight.  Those elite competitors who pulled out because of reasons of a personal or political nature are not true Olympians and should remain at home without praise.

As a nation how inspired is Canada about these games and will the country watch with the normal fanfare associated with the competition?  Perhaps they will but the usual euphoria up to now has been fairly muted. 

Let’s remove the commercialism out of our support for athletes and simply enjoy the athletic prowess by the men and women which have invested years of their lives to get there.  With our protruding bellies sitting on the sofa watching flat bellied specimens showing off their skills should be incentive enough for us to at least go for a walk and loose a gram.

Go Meaghan Benfeito! Portuguese and Canadians are proud of you, for being at the Tokyo (Covid) Olympics.

Be Well.

Manuel DaCosta/MS

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