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Amor, Sexo & Dinheiro

Editorial

Desde o início de qualquer relação, o amor nunca é livre. Há sempre um preço a pagar pelo que o parceiro dá ou recebe. Este cartão de crédito emocional vai-se estendendo à medida que os custos se tornam incontroláveis, acarretando custos de juros que não podem ser sustentados. O amor é dispendioso porque todos o desejam, mas ninguém está disposto a pagar o preço de aprender o que realmente é o amor e se vale a pena o sacrifício de se “ser amado”.  A falácia sobre o que é o amor tem vindo a ser explorada comercialmente e, devido à insatisfação com o amor, as pessoas procuram e pagam por sexo sem amarras. As escolhas que cada um faz determina a sobrevivência do amor, independentemente se envolve dinheiro ou não, mas o dinheiro é fundamental para determinar a sua satisfação com o amor.

Love, Sex & Money-editorial-mileniostadium
Cartoon by Stella

O mundo inicia o processo de destrancar as portas para libertar as nossas mentes, será difícil entender muitos aspetos da normalidade, tendo em conta que vários negócios desapareceram ou tornaram-se ocultos. Uma das áreas onde o sustento chegou ao fim foi no negócio da comercialização do sexo e, por conseguinte, a arte de se apaixonar. A internet e as redes sociais tornaram-se os veículos prediletos para satisfazer as nossas necessidades corporais. A pandemia e o confinamento direcionaram as pessoas para os ecrãs digitais para satisfazer demandas mentais, tornando mais próspera uma economia que fez do amor e do sexo um dos segmentos económicos mais lucrativos do mundo.

Em “Material Girl”, a Madonna canta “cause the boy with the cold hard cash is always Mr. Right” (porque o homem com dinheiro vivo é sempre o homem certo). Num mundo materialista, será que existe espaço para o crescimento de um amor onde as demandas financeiras geralmente conduzem a relacionamentos assexuados? Porque é que o sexo tem tantas consequências destrutivas na vida das pessoas onde a sua sustentabilidade e originalidade são requisitos para uma relação duradoura? São investidos biliões de dólares na preservação da nossa sanidade devido à examinação da nossa aparência física e inquirição se seremos bons o suficiente. É mais importante satisfazer os outros do que a nós próprios? Este dilema encaminha muitos para a internet ou serviços ocultos de forma a satisfazerem os seus desejos, já que estar atrás de um ecrã providencia o anonimato que as almas insatisfeitas procuram.

Sites de sexo, serviços de encontros, clubes de strip e outros serviços semelhantes podem, na verdade, ter salvado a sociedade da destruição moral. Embora possa parecer uma antítese às normas morais, muitos procuram consolo nestes lugares, em vez de num consultório de um psicólogo. O mundo está a mudar na sua obtenção de identidades e preferências sexuais, isolando cada vez mais os casais típicos, criando suposições com base em estereótipos sobre as identidades e preferências das pessoas.

No mês passado, o parlamento espanhol votou contra o projeto-lei que iria permitir que as pessoas determinassem o seu próprio género. Um dia depois, a Alemanha rejeitou dois projetos-lei semelhantes. Em Illinois já não existe Congressman ou Congresswoman (em português, Congressista), e os políticos sugerem que não existe necessidade de identificar nenhum dos géneros. A escolha é importante na determinação de quem somos, contudo, a decisão deve ser baseada na construção social ou as pessoas continuarão a determiná-la por si mesmas, independentemente daquilo que o governo diz.

Vamos parar a loucura da identificação das pessoas por conveniência política. A multiplicidade de identificações sexuais irá criar mais relacionamentos baseados na internet, onde a norma são encontros casuais, ao invés de alianças, amorosas, respeitosas e duradouras.  O mundo do “amor” está a acabar e o sexo promíscuo irá aumentar devido a uma sociedade que sugere que bom não é o suficiente. O negócio do sexo está a ser revolucionado com muitos a sugerir que o paradigma moral dominante da monogamia heterossexual cria uma discussão e limita a nossa compreensão de sexo, confirmando que os ganhos financeiros são a realidade para a sobrevivência nesta sociedade sexual complexa.

O dinheiro pode comprar amor? Se uma interação romântica é semelhante a uma transação comercial, então o amor pode ser comprado e negociado, e assim, comprometido. A realidade é que o amor é trabalho árduo e os retornos nem sempre compensam o sacrifício mental.

“Grief is the final act of Love” (O luto é o ato de amor final.) Não confunda isto com sexo.

Manuel DaCosta/MS


Love, Sex & Money

From the beginning of any relationship love is never free.  There is always a price to pay for what each partner is giving or receiving.  This emotional credit card can become extended as the costs become uncontrollable causing interest costs which cannot be sustained.  Love is expensive because everyone desires it, but no one is willing to pay the price to learn what love really is and if it’s worth the sacrifice of “being in love”.  The fallacy of what love is has been exploited commercially and because of dissatisfaction with love people to seek and pay for sex which has no strings attached.  The choices that you make will determine the survivability of love, regardless if it’s with or without money, but money is essential in determining your satisfaction with love.

Love, Sex & Money-editorial-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

As the world begins the process of unlatching its doors to free our minds, many aspects of normalcy will be difficult to grasp as many businesses have disappeared or gone underground.  One of the areas where livelihoods came to an end was the business of commercialized sex and by extension the art of falling in love.  The internet and social media have become the preferred vehicles to satisfy our bodily needs.  This pandemic and resulting confinement have directed people to digital screens to satisfy mental demands further enhancing an economy which made love and sex one of the most profitable economic segments in the world. 

In “Material Girl”, Madonna sang “cause the boy with the cold hard cash is always Mr. Right”.  In a materialistic world is there room for the development of love where financial demands often lead to sexless relationships?   Why does sex have such destructive consequences in people’s lives where its sustainability and originality are a requirement for long-term relationships?  Billions of dollars are invested in the preservation of our sanity because of the examination of our physical appearance and inquisition about being good enough.  Is satisfying others more important than ourselves?  This conundrum leads many to the internet and underground to satisfy desires where retreating behind the screen provides the anonymity that unsatisfied souls seek. 

Sex sites, dating services, strip joints and other such services may in fact have saved society from moral destruction.  While this may appear to be an antithesis to moral norms, many seek solace in these places instead of a psychologist’s office.  The world is changing in the procurement of identity and sexual preferences, further isolating the typical couples creating stereotypical assumptions about people’s identities and preferences.

Last month the Spanish parliament voted against a bill that would allow people to determine their own gender.  A day later, Germany voted down two similar bills.  In Illinois there is no longer Congressman or Congresswoman, and politicians suggest there is no need to identify with any gender.  Choice is important in the determination of who we are, but the decision should be based on social construct or people will continue to determine it for themselves regardless of what government says.

Let’s stop the madness of people identification for political expediency.  The multiplicity of sexual identification will create more internet-based relationships where casual dalliances will be the norm rather than loving and respectful long-term alliances.  The world of ‘love’ is ending and promiscuous sex will increase due to a society that suggests that good is not good enough.  The business of sex is being revolutionized with many suggesting that the dominant moral paradigm of heterosexual monogamy creates a discourse and limits our understanding of sex confirming that financial gain is the reality for survival in this complex sexual society.

Can money buy love?  If a romantic interaction is similar to a commercial transaction, then love can be bought and can be negotiated and thus compromised.  The reality is that love is hard work and the returns don’t always compensate your mental sacrifice. 

“Grief is the final act of love”.  Don’t confuse this with sex.

Manuel DaCosta/MS

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