Editorial

À maneira portuguesa

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A 13 de maio de 1953, chegaram ao Canadá os primeiros imigrantes portugueses legalizados no Cais 21 em Halifax, Nova Escócia. Estes primeiros e os que se seguiram foram os pioneiros que construíram uma nova comunidade no Canadá e abriram caminhos para a imigração portuguesa.

Os portugueses foram sempre aventureiros e descobridores, portanto estes novos imigrantes para uma nova terra não devem ser recordados com quaisquer elogios especiais, uma vez que a imigração para diferentes partes do mundo sempre fez parte da tradição portuguesa à medida que procurávamos melhores condições de vida e um melhor estatuto social para as famílias e para nós próprios. Eu sou o filho de um imigrante que deixou a sua família para procurar uma vida melhor na França e depois no Canadá. Ele criou uma família durante os curtos períodos de tempo que passou dentro da nossa casa, mas o seu plano final era regressar à pátria e nunca abraçar os lugares que lhe proporcionavam e à sua família uma vida melhor. A vida da imigração nunca lhe permitiu ser um pai ou marido benevolente porque nunca houve tempo para ser um ser humano altruísta. Na minha mente, a perda de relevância humanitária dentro do agregado familiar criou um vazio ainda hoje sentido.

Embora a história referida acima não seja invulgar, já que é uma consequência dos modos migratórios que as pessoas pobres e sem direitos de voto experienciam à medida que a deslocação afeta as suas vidas, impedindo o desenvolvimento de uma rede de apoio e o desenvolvimento do sofrimento, sem tempo para dar amor e carinho àqueles que criámos e por quem assumimos responsabilidade. Além disso, seres humanos indefesos têm oportunidades limitadas no que diz respeito à educação e a emprego progressivo, o que torna mais difícil escapar à pobreza, sendo esta a causa da impotência que se desenvolve no seio daqueles que precisam de escapar às condições repressivas. Portugal passou por muitos períodos em que os pobres não eram desejados e eram encorajados a deixar o país. Em 1953, quando os primeiros imigrantes viraram as costas às suas famílias e embarcaram no navio Satúrnia, sabiam que o seu destino final era uma terra distante, mas pouco mais além disso. Não foram recebidos com trompetas a clamar, mas por uma atmosfera de comércio de escravos, pois aqueles que eram para receber estes novos cidadãos como seres humanos à procura de novas oportunidades, falharam na sua abordagem humanitária.

À medida que viajavam para uma miríade de locais no Canadá, sofriam as inseguranças da dúvida, a fome e frio, os pioneiros aceitaram o seu destino em nome do que deixavam para trás e da fé num futuro melhor. Só foram bem-sucedidos devido à coragem embutida nos seus corações e almas, e essa audácia resultou numa história que se estendeu durante 70 anos, até aos dias de hoje.

Atualmente a nossa comunidade não tem a mesma determinação e bravura daquelas mulheres e homens corajosos que chegaram ao Cais 21, mas devem ter a intrepidez de reconhecer que as comunidades sobrevivem apenas quando relembram exemplos históricos e os transformam em lições acionáveis para aqueles que estão aqui agora e para aqueles que vão olhar para a nossa história no futuro.

As celebrações dos 70 anos ocorrerão a 13 e 14 de maio em Toronto. As comemorações foram concebidas como uma lembrança para honrar aqueles que abriram caminho para nós. A participação comunitária é imperativa se quisermos mostrar ao mundo do que são feitos os luso-canadianos de hoje. É verdade que a geração de hoje não tem nada a provar, mas o silêncio e a inação confirmarão as condições de fratura do envolvimento comunitário. A participação pode ser feita de muitas formas, incluindo a participação e promoção de eventos na Camoes Square, no Universal EventSpace e na praça Nathan Philips Square. Você servirá de exemplo para as próximas gerações de luso-canadianos.

E ainda será um filantropo, ao contribuir para a construção do Centro de Cuidados de Longo Prazo do Magellan que se tornará um farol do futuro da nossa comunidade e um lugar onde podemos dizer aos nossos anciões que podem ser portugueses dentro daquelas paredes. Vai ajudar?

The Portuguese way

On May 13, 1953, the first legalized Portuguese immigrants to Canada arrived at Pier 21 in Halifax, Nova Scotia. These first and subsequent arrivals were the pioneers who built a new community within Canada and opened up the roads to Portuguese immigration.

Portuguese have always been adventurers and discoverers so these new immigrants to a new land should not be remembered with any special accolades, as immigration to different parts of the world has always been part of the Portuguese tradition as we looked for better living conditions and an improving social status for families and ourselves. I am the son of an immigrant who left his family to look for a better life in France and then Canada. He created a family during the short periods of time he spent within our household, but his ultimate plan was to return to his motherland and never to embrace the places that provided him and his family with a better life. The life of immigration never allowed him to be a benevolent father or husband because there was never time to be an altruistic human being. In my mind the loss of humanitarian relevance within the household created a void still felt today. While the above story is not unusual, it is a consequence of the migratory ways which poor and disenfranchised people experience as displacement affects their lives, preventing a social network to develop and the development of suffering without time to give love and caring to those we created and assumed responsibility for. Furthermore, defenseless human beings have limited opportunities for education and progressive employment, which can make it more difficult to escape poverty, thus the cause of the impotence that develops within those who need to escape repressive conditions. Portugal has gone through many periods where the poor were not wanted and thus encouraged to leave the country. In 1953 as the first immigrants turned the backs on their families and boarded the ship Saturnia, they knew that their final destination was a faraway land, but not much more. They were not received with trumpets blaring but by an atmosphere of slave trading as those who were to receive these new citizens as human beings seeking new opportunities failed in their humanitarian approach. As the pioneers travelled to a myriad of locations within Canada, suffering the insecurities of doubt, hunger and cold, they accepted their fate for the sake of what they left behind and the faith of a better future. They succeeded only because of the courage embedded in their hearts and souls and that audacity resulted in a story spanning 70 years to today.

Our community today does not have the same determination or fortitude of those brave women and men that arrived at Pier 21, but they must have the fearlessness to recognize that communities survive only by taking historical examples and transforming them into actionable lessons for those who are here now and those who will look at our history in the future.

The 70 year celebrations will occur on May 13th and 14th in Toronto. The activities were designed as a remembrance to honour those who opened the way for us. Community participation is imperative if we are going to show the world what today’s Portuguese Canadians are made of. It’s true that today’s generation has nothing to prove but silence and inaction will confirm the fractious conditions of community involvement. Participation can be done in many ways including, attending, and promoting events at Camões Square, Universal Event Centre and Nathan Phillips Square. You will serve as an example to the next generations of Luso Canadians.

In addition, you will become a philanthropist by contributing to the construction of Magellan Long Term Care Facility, which will become a beacon of the future of our community and a place where we can tell our elders that they can be Portuguese within those walls. Will you help?

Manuel DaCosta/MS

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