31 DE JANEIRO DE 1970

O mundo enfrenta um problema chamado imigração, e o Canadá não está imune a este dilema. Embora o Canadá não seja um caso único, as consequências de anos de imigração historicamente elevada resultaram num sistema completamente desorganizado, que funcionava bem a nível económico e social antes da implementação das políticas da era Trudeau. A rejeição social deu origem a forças divisórias que afetaram milhões de pessoas, e a experiência de Trudeau de acomodação social para todos os que dela necessitam falhou de forma retumbante. Essa experiência está agora a chegar ao fim sob a liderança de Mark Carney, mas é tarde demais para voltar atrás e reparar os danos causados.
Em 2025, a população do Canadá aumentou apenas marginalmente, cerca de 0,9%, atingindo os 41,7 milhões. No primeiro semestre de 2025, 54.530 pessoas deixaram o Canadá – o número mais elevado alguma vez registado. Quatro províncias e um território registaram diminuições populacionais: Ontário, Colúmbia Britânica, Quebeque, Terra Nova e Labrador e o Yukon. Estas regiões coincidem, em geral, com as áreas do país que receberam mais imigrantes. Todos os países necessitam de imigração para garantir o seu bem-estar, sobretudo quando a taxa de natalidade está a diminuir e a estabilidade económica depende de um equilíbrio saudável entre imigração e nascimentos. Atualmente, esse desequilíbrio deveria ser motivo de preocupação, especialmente para quem procura emprego, numa altura em que a economia canadiana apresenta fraco desempenho.
A grande experiência canadiana em matéria de imigração está a terminar e está a ser celebrada como um sucesso e como uma correção tardia, mas necessária. Mas será que devemos celebrar? As gerações mais jovens do Canadá, incluindo a Geração Z, queixam-se de não conseguir encontrar emprego e de verem a sua qualidade de vida deteriorar-se, alegando que os empregos mais mal pagos foram ocupados por imigrantes. É amplamente reconhecido que os canadianos, independentemente de quem sejam, não querem realizar o tipo de trabalho que muitos imigrantes aceitam fazer, mas continuam a queixar-se de que não há emprego. É muito mais fácil aceitar os benefícios do que enfrentar as dificuldades do trabalho, uma atitude comum entre os queixosos de sempre, que agora encontram eco junto de sociais-democratas que consideram ser necessário cuidar destes “pobres” num país rico, mesmo que isso aconteça à custa de uma política de imigração eficaz.
A vaga de recém-chegados no período pós-pandemia agravou a escassez de habitação, sobrecarregou os serviços públicos e perturbou o mercado de trabalho. O governo decidiu contratar mais 30 mil funcionários públicos, aumentando um corpo federal já pouco produtivo, que agora se tenta reduzir. Muitos sugerem que os jovens canadianos estão a sofrer por terem de competir com os recém-chegados. Eu diria que isso é uma falácia, pois a minha experiência a recrutar canadianos para determinados tipos de trabalho tem sido marcada pela frustração, já que o principal interesse de muitos candidatos parece ser dar mais um passo numa experiência social de dependência da ajuda governamental.
Atualmente, no Canadá, como em muitos outros países, aqueles que são protegidos pelo Estado queixam-se de que foram admitidos no país os “imigrantes errados”. Talvez esta seja uma crítica legítima, mas se esta política tivesse sido aplicada de forma transversal, eu próprio nunca teria sido autorizado a entrar no Canadá. Tal como muitos canadianos, tenho dificuldade em aceitar os critérios de entrada demasiado permissivos para muitos, pois as políticas governamentais de portas abertas e de experimentação social causaram enorme sofrimento, ao falharem na responsabilidade de proteger aqueles que foram legalmente aceites neste país.
A aceitação liberal de quem está em necessidade pode ser uma prática válida, mas quando as políticas são concebidas por pessoas que possivelmente nasceram com uma “colher de prata na boca”, nunca haverá uma verdadeira compreensão do que a imigração deveria ser.
Abrir indiscriminadamente as portas à imigração, sem uma estratégia alinhada com as necessidades do Canadá, foi um erro grave, porque a mudança transformadora que permite o crescimento de um país faz-se através de políticas justas — boas tanto para quem chega como para quem já cá vive. Era diferente a 31 de janeiro de 1970, quando os imigrantes vinham para o Canadá para trabalhar, sem quaisquer expectativas de apoio governamental.
Editorial in english
JANUARY 31, 1970
The world is grappling with a problem called immigration and Canada is not immune from this dilema. Although Canada is not unique, the consequences of years of historically high immigration, resulted in a completely screwed up system, which was working economically and socially beforeTrudeau era policies were implemented. Social rejection has resulted in divisionary forces that have affected millions of people and Trudeau’s experiment in social accommodation for all in need has failed miserably. The experiment is ending under Mark Carney but it’s too late to turn back and repair the damage done.
In 2025, the population of Canada increased minimally by about 0.9% to 41.7 million. 54,530 people moved from Canada in the first half of 2025, the highest ever recorded. Four provinces and one territory saw population decreases, Ontario, BC, Quebec, Newfoundland and Labrador and the Yukon. These provinces were generally the areas of the country where most people immigrated to. Every country needs immigration to sustain its well-being, particularly when the number of births is decreasing and economic stability is dependent on a healthy balance of immigration and birth rates and currently the imbalance should be worrisome for those looking for a job as the Canadian economy underperforms.
Canada’s great immigration experiment is ending and we are celebrating this as a success and an overdue correction. But should we be celebrating? Canada’s younger generations, including Gen Z’s are complaining they can’t find jobs and that their quality of life has suffered because all the lower paying jobs have been taken by immigrants. It is well known that Canadians, whoever they are, do not want to do the type of work many from other countries will do, but continually complain they can’t find work. A silver spoon is much easier to ingest the honey that the hardship of work provides for the complainers, which have always existed, but now have the ear of social-democrats who feel that we have to take care of these poor people in a rich country at the cost of effective immigration. The post-pandemic rush of newcomers exacerbated housing shortages, strained public services and disrupted the job market. The government decided to hire 30,000 additional civil servants to increase the lazy pool of federal workers, which we are now trying to fire.. Many will suggest that younger Canadians are suffering because they have to compete with newcomers. I would suggest that this is a fallacy as my experience in recruiting Canadians for certain types of work is a combination of frustration as the main interest of many of the workers is to take another step in doing a social experiment in government assistance.
Currently in Canada, as with many other countries, those who are protected by the state complain that the wrong type of immigrants were let into the country. Perhaps this is a legitimate complaint but if this policy was enforced across the spectrum, I would have never been allowed to enter Canada. I struggle like many Canadians with the loose entry requirements for many as government policies with its open door rules on social experimentation has caused so much misery by failing to accept responsibility to protect those who have been accepted into this country legally.
Liberalism in accepting those in need may be an accepted practice but when policies are implemented by people who have possibly been born with a silver spoon in their mouths, there will never be an understanding of what real immigration should be about. Opening the floodgates to immigration without a strategy for Canada’s needs was a huge mistake because transformative change, which allows a country to grow is done by fair policies, which are not only good for the people coming in but also for the people who already live in the country. It was different in January 31, 1970, when immigrants came to Canada to work without any expectations of government assistance.
Manuel DaCosta/MS







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