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21 DE MAIO DE 2021

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Edição 1537 – 21 DE MAIO DE 2021

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Em novembro de 2017, a Câmara dos Comuns designou junho como sendo o mês da herança portuguesa, proporcionando aos canadianos a oportunidade de reconhecer, honrar e celebrar a contribuição da comunidade luso-canadiana para a vida social, cultural e económica do Canadá. Note que é uma “oportunidade para os canadianos”, não necessariamente portugueses, para compreenderem as contribuições feitas desde 1953 quando os imigrantes chegaram.
Nas minhas viagens e interações com canadianos eram poucos, se alguns, os que tinham conhecimento dos aspetos comemorativos que o mês de junho representa para a cultura portuguesa. Principalmente porque é uma observância intelectual promovida com motivações políticas e para progresso por alguns que exigiam a sensibilização dos luso-canadianos em época eleitoral. Esta visão pessimista está enraizada no facto de nos últimos 18 meses a cultura ter sido arquivada para nunca ser ouvida por canadianos ou lusófonos, incluindo aqueles que são supostamente os mensageiros do bom de se ser português. Tornámo-nos numa sociedade culturalmente mórbida. Para onde foi toda a gente? Onde está a ACAPO, a Federação, a Câmara do Comércio, os Consulados e as Embaixadas? Os dentistas determinaram que as bocas fossem colocadas em confinamento até que o mundo normalize? Certamente que até lá ninguém saberá ou se irá recordar do que é a cultura portuguesa e a verdade e reconciliação da cultura podem levar a uma reconstrução dos nossos pensamentos e crenças inferiores, resultando no reforço da importância da perceção cultural.
O cultivo e manutenção de hábitos, crenças e tradições da cultura portuguesa é um trabalho em constante desenvolvimento no nosso dia a dia, ingerido em pequenas quantidades para não oprimir as tradições com que vivemos. Não praticar é esquecer que a sociedade espera que os seus cidadãos sejam verdadeiros a si mesmos no seu processo de pensamento e que garantam a passagem da herança cultural para os seus herdeiros.
Com milhares de cidadãos britânicos a invadir novamente Portugal (5,000 turistas esta semana), até parece que o mundo está a regressar à normalidade. Mas, estará? Alguma vez o mundo foi normal? A primeira pessoa portuguesa a viver no Canadá não tinha uma função importante. Mateus da Costa era o interprete de Samuel de Champlain com os nativos, no século XVI.
Hoje, os 500,000 que afirmam ter ascendência portuguesa, total ou parcial, celebram as suas raízes culturais, das quais são originários, com pouca paixão. Apesar de Portugal ter estado entre os mais pobres da Europa, ricos ou pobres, podia sentir-se o fogo interior da riqueza que a história proporciona à identidade.
É um facto que a Covid-19 impulsionou o encerramento de organizações culturais. Certamente que alguns, senão todos, estão com dificuldades para cumprir as obrigações financeiras tendo poucos rendimentos e sem ajudas do governo. Será que estes clubes e organizações irão regressar ao seu estatuto pré-pandemia? É pouco provável, mas devido às tendências regionalistas, as pessoas voltarão a saborear um pouco de Portugal, onde quer que esteja disponível. Não é a visão de futuro perfeita, mas com os Galos de Barcelos a serem colocados em alguns locais de Toronto, o “coricocó” vai garantir a sobrevivência da cultura luso.
Fique bem.

 

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