16 DE ABRIL DE 2021
Está disponível mais uma edição do Milénio Stadium!
Edição 1532- 16 DE ABRIL DE 2021
A queda de água furiosa continua a conduzir os nossos espíritos para um oceano de sonhos perdidos. Esta pandemia estabeleceu novas normas e regras para as nossas vidas que mudam com mais frequência do que o vento, criando confusão e desespero. De acordo com um estudo com 230 000 pessoas nos EUA, uma em cada três pessoas afetadas pela Covid foram diagnosticadas com uma doença neurológica ou de saúde mental seis meses após serem infetadas. Como iremos regressar ao normal nestas circunstâncias? A tentativa de Doug Ford de inspirar Ontário ao dizer “Sejam Felizes” foi vista como um hino oco e inexpressivo para aqueles que já estão no fundo e não têm para onde ir. Viver e trabalhar em Toronto e na GTA tem-se tornado numa forma desequilibrada de viver a vida.
Todos os dias, as estatísticas do governo que descrevem a terceira onda do vírus são nada mais do que lembretes deprimentes de que o nosso confinamento permanecerá por muito tempo. As autoridades têm falhado na informação e orientação dos cidadãos desta província, a informação que providenciam é confusa e por isso muitos continuam a desobedecer às regras. Uma das desvantagens de viver/trabalhar na GTA é a ausência de uma discussão abrangente sobre a questão da habitação e a discussão continua sobre as atitudes de confronto entre inquilinos e senhorios. Geralmente, os inquilinos são descritos como vítimas de proprietários gananciosos que não têm compaixão por aqueles que têm de arrendar uma casa. Como é que se mede a justiça desta relação? Os senhorios não podem aumentar as rendas, expulsar inquilinos indisciplinados, os tribunais estão fechados, no entanto, os senhorios têm de continuar a pagar os impostos que estão a aumentar, o custo cada vez mais elevado do aquecimento, da luz, das hipotecas e uma quantidade inumerável de custos da cidade que nos aparecem na caixa de correio todos os meses.
Falando por experiência própria, sempre que um inquilino decide mudar-se, o apartamento requer reconstrução e limpeza, porque os inquilinos acham que destruir a casa faz parte do jogo. Isto não significa que todos os inquilinos são iguais, mas é típico encontrar condições repugnantes, mais apropriadas a porcos do que a humanos. A polarização dos inquilinos por grupos organizados tem criado uma atmosfera de medo, onde os senhorios podem ser descritos como pessoas sem coração simplesmente por pedirem que a renda seja paga. Como as políticas são adotadas por partidos políticos oportunistas que proclamam os inquilinos como as vítimas da sociedade e passam a mensagem de que os proprietários que se sacrificaram através do seu trabalho árduo não têm direitos, os inquilinos sentem-se capazes de abusar do sistema. A imposição de medidas tributárias sobre aqueles que têm trabalhado, danifica o espírito e a ambição para fazer mais pelos menos afortunados da sociedade. Com as pessoas a adotarem o conceito de trabalhar através de casa, o mercado imobiliário tornou-se numa parte importante do nosso ambiente confortável e não apenas quatro paredes dentro das quais dormimos. Poder-se-ia questionar a produtividade do trabalho feito a partir de casa, contudo é um fenómeno que será “normal” por mais um tempo. Ainda há pouco tempo, várias pessoas abandonavam a cidade para pastagens mais verdes fora do centro da cidade, mas estão agora a regressar e a perceber que arrendar um apartamento inclui participar numa guerra de licitação, espelhando a venda de uma casa. O Canadá está agora em segundo lugar no destino de imigração de chineses ricos e estas elites irão continuar a pressão inflacionária sobre a habitação, pressionando a oferta. Estamos a entrar numa era de transferência de riqueza sem precedentes. A próxima década irá acompanhar a transferência de um trilião de dólares de pais para os seus filhos. 55 por cento dos millennials consideram que faz parte da obrigação de um pai deixar uma herança. Esta estatística absurda reflete a desconexão entre trabalho árduo e aqueles que dizem merecer. E que tal trabalhar arduamente para o que ganha? As gerações preguiçosas que esperam que compensem a sua falta de ambição, retratam a crise da habitação e outros problemas sociais atuais. As próximas gerações serão, na sua maioria, preguiçosas e irresponsáveis, conduzindo este país ao dogma socialista de esquerda desprovido de respeito por aqueles que trabalham arduamente e providenciam quatro paredes para o seu conforto. E que tal um pouco de respeito pela sua casa?
Fique bem.








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