Desporto

Uma aventura em Tóquio

Que não era fácil – mesmo em condições normais – já nós sabíamos… Mas a estrada até Tóquio, que tem vindo a ser percorrida desde março de 2020, altura em que os Jogos foram oficialmente adiados para 2021, tem  mostrado ser um verdadeiro campo de minas! E elas bem têm rebentado, uma de cada vez!

Olimpíadas 2020 - Jogos Verdes-tokio-mileniostadium
Créditos: DR.

Começando pela forte contestação em volta da realização dos mesmos, com a maioria da população japonesa a pedir o cancelamento – ou pelo menos o adiamento – das Olimpíadas devido à pandemia provocada pela Covid-19 e passando, por exemplo, pelo atual surto da doença no Japão e até dentro da própria aldeia olímpica, polémica é realmente coisa que não tem faltado nesta novela… japonesa! Para além da manifestação da semana passada nas ruas de Tóquio, onde dezenas de pessoas se mostraram contra a realização da competição, existe ainda uma petição que pede o cancelamento da mesma e que conta já com milhares de assinaturas. Também a associação de médicos de Tóquio, onde estão representados cerca de 6 mil profissionais, pediu o cancelamento da prova, justificado pelo aumento de casos de Covid-19 e pela pressão sobre os hospitais do país. Financeiramente falando, um possível cancelamento dos Jogos Olímpicos implicaria enormes perdas. No campo do marketing, a título de exemplo, as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, angariaram mais de cinco mil milhões de euros e as de 2012, em Londres, mais de seis mil milhões, segundo o site alemão Statista – isto já para não falar que só em bilheteira – dado que não está autorizada a presença de público nos recintos desportivos – se vão perder, segundo o analista financeiro Liam Fox, cerca de 670 milhões de euros.

A esperança recai assim nos direitos televisivos, já que, na impossibilidade de ver as provas ao vivo, espera-se que um maior número de adeptos acompanhe a competição pela televisão: neste campo as empresas emissoras desembolsaram cerca de 3 mil milhões de euros na edição passada dos Jogos.

Até agora, na aldeia olímpica, mais de 90 pessoas já acusaram positivo no teste à Covid-19, entre eles quatro residentes. E o que por si só já é mau pode tornar-se ainda pior: se por acaso se registar um surto no complexo, para além de, obviamente, diversos atletas ficarem impossibilitados de competir, pode dar-se o caso de aumentar o número de isolamentos – pelos contactos que os desportistas têm entre si – e, consequentemente, ficam esses atletas também não poderão de igual forma competir. Um “efeito dominó” que, na realidade, já começou a prejudicar o normal funcionamento da competição – vários atletas já se recusaram inclusivamente a participar nos Jogos. No ténis, por exemplo, do top-50 já abandonaram a competição 23 desportistas masculinos e 15 femininos.

Mas as polémicas não se ficam por aqui: depois de, num primeiro momento, ter deixado no ar a possibilidade de não competir, Djokovic lá se decidiu a viajar para Tóquio, justificando que o fez “por patriotismo”, apesar de deixar claro que não é do seu agrado “competir sem público nas bancadas” e que “todas as restrições por causa do coronavírus” o incomodam. Por outro lado, há quem aproveite para dar corda aos sapatos e partir em busca de “uma vida melhor” assim que pousa os pés em território nipónico – foi o caso do halterofilista ugandês Julius Ssekitoleko, que fugiu do estágio, deixando apenas uma nota onde esclarecia que pretendia trabalhar no Japão. Já o nadador bicampeão olímpico Oussama Mellouli, que foi acusado pela federação tunisina de falsificação e fraude, desistiu dos Jogos e anunciou a retirada do desporto de alto nível.

Finalmente – e porque não temos espaço para tudo – um dos temas que mais curiosidade tem despertado. É que os japoneses levam o distanciamento social mesmo a sério… até na cama! As suspostas “camas anti-sexo”, feitas de cartão e que têm como objetivo evitar qualquer tipo de envolvimento físico durante a estadia dos atletas no Japão, passaram a ser um dos assuntos mais falados nas redes sociais. Ainda assim, o ginasta norte-irlandês Rhys Mcclenaghan rapidamente desfez as dúvidas e mostrou, num curto vídeo publicado online, que elas são mais resistentes do que o esperado. O que acontece em Tóquio fica em TóquioE por falar em medidas preventivas e de combate à Covid-19, há de facto quem tenha esperança e total confiança na organização – é o caso do lutador de Taekwondo Rui Bragança que, numa conferência de imprensa, assumiu que se sente bastante seguro na aldeia olímpica.

Rui, o único representante português desta modalidade em Tóquio, exaltou, entre outras coisas, a zona isolada em que a comitiva lusa viajou no avião e confidenciou que no Japão os guias “controlam tudo”, para garantir que os protocolos de segurança sanitária são cumpridos.

Portugal conta com um total de 92 atletas apurados (54 masculinos, 34 femininos e quatro mistos) distribuídos por 17 modalidades – andebol, atletismo, canoagem de velocidade, ciclismo mountain bike, equestre, ginástica rítmica, judo, natação, remo, skate, surf (estas duas últimas modalidades fazem parte das cinco que têm a sua estreia marcada nos Jogos Olímpicos este ano), taekwondo, ténis, ténis de mesa, tiro com armas de caça, triatlo e vela.

Com um investimento de cerca de 18 milhões de euros para esta edição dos Jogos Olímpicos, os objetivos do país passam por duas medalhas, 12 diplomas (classificações até ao oitavo lugar) e 26 top-16. Destaque ainda para a nadadora medalhada e lusodescendente Meaghan  Benfeito, que representará novamente o Canadá.

Com estreia marcada para o dia de hoje, 23 de julho, estes Jogos prometem continuar a surpreender… esperemos apenas que seja pela positiva!

Inês Barbosa/MS

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