Futebol

Abdul-Aziz: Gana(s) de vencer

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Foi uma das figuras da quarta jornada da I Liga. De origens humildes, Yakubu Aziz mostra-nos que às vezes acreditar que conseguimos alcançar os nossos sonhos é meio caminho andado para o sucesso. O resto do caminho faz-se com muito esforço, sacrifício, trabalho… e às vezes com uma pontinha de sorte, quem sabe. E, infelizmente, ela nem sempre esteve do lado de Aziz.

Nesta edição do Milénio Stadium quisemos saber mais sobre o passado, presente e futuro de um dos jogadores-sensação desta edição do campeonato português de futebol, autor de dois dos três golos que valeram a surpreendente vitória do recém-promovido Rio Ave sobre o campeão F.C. Porto, e que é já o segundo melhor marcador da Liga. Se vai ficar por aqui? Temos a certeza que não.

Milénio Stadium: Começou a formação futebolística no Red Bull Ghana, em 2011. Que recordações guarda desses primeiros momentos no futebol?
Yakubu Aziz: Foi uma escola de futebol, aprendi muito sobre futebol e sobre a vida, embora tenha saído de casa muito jovem. As minhas melhores memórias dessa altura são dos meus amigos na academia.

MS: MS: A primeira experiência em Portugal foi no Vizela: o que é que o fez tomar a decisão de abandonar o seu país e vir para Portugal?
YA: Tinha o sonho de me tornar num futebolista profissional, por isso sabia que este era o primeiro passo para tornar esse sonho realidade – e com a história do futebol em Portugal sabia que era o passo certo.

MS: Já a estreia na primeira liga portuguesa foi em 2018/2019, frente ao Belenenses, partida em que acabou por sair com uma lesão grave ainda na primeira parte… Não foi com certeza a estreia que idealizou…
YA: Sim, chorei muito nesse dia porque finalmente tive a oportunidade de mostrar quem eu sou e o que posso fazer e infelizmente a lesão surgiu. Foi realmente de partir o coração.

MS: Foi uma lesão que acabou por condicionar o que restava dessa época e também a seguinte, verdade? Que impacto é que uma situação destas tem num jogador?
YA: Depende da mentalidade que o jogador tem – se tem uma mentalidade forte ou fraca -, e para mim, vindo de África, já tinha uma mentalidade forte que me ajudou a concentrar na recuperação para voltar mais forte do que antes.

MS: Como é que se levanta a cabeça e se segue na perseguição do sonho? É preciso, no mínimo, muita força de vontade…
YA: Bem, como disse, vindo de uma casa pobre no Gana tenho muita vontade de ter sucesso… custe o que custar.

 

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MS: Entretanto rumou ao Estoril por empréstimo do Vitória SC, e podemos dizer que foi aí que teve a oportunidade de “renascer”, por assim dizer. Encarou esta fase como um género de “segunda oportunidade”?
YA: Ir para o Estoril foi a melhor decisão que tomei nessa altura porque tinha outras opções mas já lá tinha muitos amigos, e eles acreditaram em mim… Por isso não foi uma segunda oportunidade para mim, foi mais como voltar a fazer aquilo em que sou bom…

MS: Nessa época foi o terceiro melhor marcador do campeonato e campeão da segunda liga, o que valeu a promoção ao principal escalão português. Como é que isso o fez sentir?
YA: Eu estava realmente entusiasmado, naquele ano a equipa era mais como uma família, por isso ganhar o campeonato foi ainda mais especial para mim: velhos amigos a ganharem o campeonato juntos!

MS: Na época seguinte começou a representar o Rio Ave, que tinha o mesmo objetivo do Estoril: a promoção. Mais um ano, mais um desafio cumprido com sucesso: mais uma subida e mais uma vez um dos melhores marcadores do campeonato. Acreditou que a hora de representar um clube da I Liga tinha novamente chegado?
YA: Sim, foi outro sentimento especial porque acreditei no projeto do Rio Ave e eles também acreditaram em mim: acreditaram que podia ajudá-los a alcançar novamente a promoção à primeira divisão e continuar com eles.

MS: Quais as principais diferenças que encontra entre o futebol português e ganês?
YA: A principal diferença é a liberdade financeira e a qualidade do futebol, a qualidade dos campos de futebol, dos adeptos e das táticas, que em Portugal são melhores do que no Gana.

MS: O que o levou a querer tornar-se num jogador de futebol e quem são as suas grandes inspirações?
YA: Tudo começou quando fui selecionado para ir à Red Bull Ghana Academy. Inspirou-me a trabalhar arduamente e a tornar-me num futebolista profissional, para que pudesse cuidar da minha família financeiramente… Em relação à minha inspiração diria o Sadio Mané, sobretudo pela sua humildade. Veio de uma família pobre e agora que é um dos melhores jogadores do mundo continua a ajudar a sua família e a sua terra.

MS: Foi o homem do jogo e o autor de dois dos três golos marcados na partida frente ao F.C. Porto nesta quarta jornada. Um bis, só por si, já é um feito muito bom para qualquer jogador… mas tendo sido marcado ao atual campeão nacional, que importância atinge?
YA: Foi o maior feito até agora na minha carreira de futebol. Tenho melhores momentos no futebol, mas este foi o mais especial. Jogar contra os campeões de Portugal e marcar dois golos contra eles, isto dá-me mais confiança em cada jogo que vou jogar no futuro!

MS: Entretanto já leva três golos em quatro jogos: sonha em ser o melhor marcador desta edição do campeonato?
YA: Não sonho em ser o melhor marcador, mas tenho um objetivo estabelecido para mim no final da época. Às vezes é tudo uma questão de sorte e de trabalho. Se eu atingir os meus objetivos, serei mais feliz do que nunca.

MS: Quais são os seus objetivos e sonhos para o futuro?
YA: Jogar na Liga dos Campeões e pela seleção nacional do meu país num futuro próximo.

Inês Barbosa/MS

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