Trump não ameaçou abandonar acordo de comércio norte-americano em conversas privadas, diz Carney

Trump não ameaçou abandonar acordo de comércio norte-americano em conversas privadas, diz Carney
O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não lhe deu qualquer indicação de que esteja disposto a abandonar o acordo de comércio livre da América do Norte negociado durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.
Carney reuniu-se em privado com Trump e com a Presidente do México, Claudia Sheinbaum, em Washington, no início deste mês, à margem do sorteio do Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA.
Grande parte da conversa serviu para delinear os contornos gerais das futuras discussões em torno do Acordo Canadá–Estados Unidos–México (CUSMA), que deverá ser revisto em 2026.
“O que discutimos, os dois presidentes e eu, foi o processo de revisão e renegociação do CUSMA. Falámos de prazos potenciais, embora não tenhamos definido calendários específicos”, afirmou Carney.
Recentemente, o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, admitiu a possibilidade de os Estados Unidos tentarem negociar acordos separados com o Canadá e o México ou até de abandonarem completamente o acordo. “Pode ser abandonado? Sim. Pode ser revisto? Sim. Pode ser renegociado? Sim. Todas essas opções estão em cima da mesa”, afirmou Greer.
Num relatório apresentado ao Congresso norte-americano, Greer escreveu que “manterá em aberto as opções do presidente, negociando de forma firme para resolver os problemas identificados, mas apenas recomendando a renovação se for possível alcançar uma solução”.
Trump ameaçou retirar-se do acordo que antecedeu o CUSMA, o NAFTA, durante o seu primeiro mandato presidencial, e fez comentários semelhantes sobre o atual acordo em declarações públicas na Casa Branca.
No entanto, Carney disse que o presidente “não fez nenhuma dessas afirmações” durante as conversas privadas. “As minhas conversas com o presidente Trump, tal como as da Presidente Sheinbaum, apontaram para uma revisão e ajustamentos ao CUSMA, não para um abandono total do acordo”, afirmou Carney.
Apesar do acordo comercial, os Estados Unidos continuam a aplicar tarifas de 50% às exportações canadianas de aço e alumínio, de 10% à madeira e de 25% a alguns produtos automóveis e outros bens, como armários de cozinha.
Carney venceu as eleições federais de abril depois de se apresentar como a pessoa mais indicada para lidar com o presidente norte-americano.
Após a eleição, o primeiro-ministro tomou várias medidas para apaziguar a administração dos EUA, incluindo o recuo na taxa sobre serviços digitais e a eliminação de um conjunto de tarifas retaliatórias sobre produtos americanos.
Apesar desses esforços, ainda não foi alcançado um acordo para eliminar pelo menos algumas das tarifas sectoriais impostas pelos Estados Unidos.
CBC/MS







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