Negociações comerciais com Trump “ainda não retomadas” após pedido de desculpas de Carney

O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que as negociações comerciais com os Estados Unidos ainda não foram retomadas, apesar de ter apresentado desculpas ao presidente norte-americano Donald Trump, que interrompeu abruptamente as conversações devido a uma campanha publicitária.
Questionado sobre o estado atual das conversas com Trump e se as negociações foram reativadas, Carney respondeu: “Veremos. As conversações ainda não foram retomadas”, disse o primeiro-ministro numa breve declaração durante uma conferência de imprensa sobre o orçamento recentemente apresentado.
Carney afirmou ter falado com Trump na semana anterior, quando ambos participaram na Cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, ocasião em que pediu desculpa pela campanha televisiva. Trump tinha suspendido as negociações a 23 de outubro e prometido tarifas ainda mais pesadas sobre produtos canadianos, culpando uma campanha apoiada pelo governo de Ontário que usava excertos de discursos de Ronald Reagan contra tarifas comerciais.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, acabou por retirar o anúncio, mas as conversações comerciais continuam paradas. O Canadá deseja alcançar um acordo para eliminar tarifas setoriais, sobretudo sobre o aço e o alumínio.
Quando questionado por jornalistas se as negociações poderiam ser retomadas, Trump respondeu negativamente, embora tenha elogiado Carney: “Gosto muito dele, é simpático, mas o que fizeram foi errado”, disse o presidente a bordo do Air Force One.
No sábado (1), Carney revelou que viu o anúncio antes de este ir para o ar e avisou Ford de que não achava que fosse uma boa ideia. Ford, por sua vez, disse ter uma lembrança diferente da conversa, mas confirmou que Carney lhe telefonou “duas vezes” da Ásia a pedir que cancelasse a campanha. “Compreendo perfeitamente a posição dele”, declarou Ford. “Está a tentar negociar com o presidente, mas o presidente ia dar-nos um acordo terrível.”
No mesmo dia, o primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, anunciou que o seu governo também desistia de lançar anúncios contra as tarifas de Trump, considerando que se tinham tornado “uma fonte de ansiedade” para o governo federal. “Comprometemo-nos a que, quando chegar o momento de falar diretamente com os americanos, o faremos em parceria com o governo federal”, afirmou Eby durante uma cimeira sobre a indústria da madeira serrada, outro setor fortemente afetado pelos direitos aduaneiros dos EUA.
Embora Trump tenha ameaçado impor um aumento adicional de 10% nas tarifas sobre importações canadianas, ainda não assinou qualquer ordem executiva nem anunciou uma data.
CBC/MS







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