Canadá

8 mil membros da LiUNA em manifestação no Queen’s Park

“Os liberais vão sentir em junho o peso da LiUNA”, esta foi uma das frases que Joseph Mancinelli disse aos cerca de 8 mil membros que estiveram presentes segunda-feira (23) no Queen´s Park. O maior sindicato da América do Norte organizou uma manifestação contra o orçamento da província que obriga a que os trabalhadores da indústria da cofragem passem a ser representados pelos Carpinteiros.

Para o vice-presidente da LiUNA (Labourers’ International Union of North America) o projeto de lei 31 é um ataque à jurisdição da LiUNA. “É a coisa mais bizarra que já vi. Depois de 48 anos de boas relações laborais nesta província os liberais querem rasgar os acordos coletivos que conseguimos para entregar a jurisdição nas mãos dos Carpinteiros”, disse.

Em causa está o fim de um acordo colectivo que os Carpinteiros – United Brotherhood of Carpenters and Joiners (UBCJ) e a LiUNA assinaram na década de 70. Mancinelli garante que milhares de membros vão ser afectados pela alteração caso o orçamento seja aprovado no próximo mês. “Os nossos membros estão aborrecidos com o que o governo está a fazer. É uma das medidas mais draconianas que já vi. Nunca fomos atacados desta forma mas vamos lutar pelos nossos direitos”, assegurou.

A LiUNA insiste que não houve consulta pública e que o governo está a favorecer os Carpinteiros de uma forma descarada e sorrateira. “Este projeto de lei está escondido no meio do orçamento, quase que dávamos por ele, isto foi feito de forma premeditada”, disse Mancinelli.

De acordo com este sindicato, a LiUNA representa mais carpinteiros na província do que o próprio UBCJ. “A maioria das pessoas não sabe disto mas nós representamos 12 mil carpinteiros. Na Área Metropolitana de Toronto vão ser afetados milhares de membros”, referiu Mancinelli.

A LiUNA reuniu quinta-feira (19) com a Premier Kathleen Wynne mas a reunião acabou por correr mal. “Apresentámos-lhe uma proposta justa mas ela preferiu ignorá-la”, lamentou Mancinelli.

O Milénio Stadium tentou falar com alguns dos membros que estavam presentes na manifestação no Queen’s Park. Bruno Gouveia está preocupado com o futuro e com os seus descontos. “Acho que esta alteração é injusta porque nós descontámos a vida inteira e agora vamos ser abrigados a mudar de sindicato. E o que é que nos vai acontecer? Será que vamos ter os mesmos benefícios? Acham que os liberais não pensaram bem. Os políticos não deveriam pôr os seus interesses à frente dos cidadãos que os elegeram”, advertiu.

Paulo Machado tem 60 anos e lamenta que o governo lhe tenha trocado as voltas. “Já não tenho idade para isto. Nós fazemos o trabalho que os canadianos não querem fazer e o governo ainda acha que tem o direito de nos dificultar a vida. Os liberais deviam ter vergonha na cara”, disse.

Jack Oliveira, Business Manager da Local 183, também condena a posição do governo. “Os políticos deveriam concentrar-se no seu trabalho, é para isso que os elegemos. Eles não têm o direito de obrigar os membros a escolher o seu sindicato, não estamos na Rússia. Mas eles estão a tempo de recuar”, justificou.

Oliveira chama a atenção para as consequências desta proposta de lei. ”Isto vai afectar membros e várias comunidades, nomeadamente a portuguesa. Todos os anos damos milhares de dólares a organizações sem fins lucrativos”, explicou.

O candidato conservador, Doug Ford, esteve presente na manifestação e Jack Oliveira garantiu aos jornalistas que “vão apoiar [os políticos] que defenderam os interesses da LiUNA”.

Jim MacKinnon, Business Manager da 1059, já tem números exactos. “Nós representamos 3 mil membros e na região de London vamos perder 650 membros. Isto é completamente estúpido e baixo. Del Duca trabalhava para os Carpinteiros e acho que é o retorno dos milhões de dólares que eles deram ao governo”, confessou.

O orçamento da província vai ser debatido a 9 de maio e até lá a LiUNA promete continuar a pressionar o Governo.

 

 

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