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Victoria Hipolito: Uma inspiração para futuras cientistas

milenio stadium - victoria hipolito

 

Aos 29 anos, a luso-canadiana Victoria Hipolito, já tem uma destacada carreira numa área não muito familiar para a maioria da comunidade portuguesa. Formada em Ciências, ela é PhD em Ciências Moleculares pela Universidade de Ryerson, em Toronto, e atualmente trabalha numa empresa que usa Inteligência Artificial para ajudar cientistas de grandes companhias farmacêuticas em todo o mundo a executar suas pesquisas. Os estudos, e a ciência, sempre estiveram entre as paixões dela e as consequências vieram naturalmente: foram diversas distinções no seu desempenho acadêmico e uma carreira já muito bem-sucedida e que promete ainda mais.

Assim como muitas outras mulheres, Victoria conta que já enfrentou dificuldades e teve que lidar com preconceitos, pelo simples fato de ser do sexo feminino. Diante das dificuldades não hesitou, e com um forte espírito de liderança, sempre fez questão de participar de grupos de apoio às mulheres e minorias. A família também desempenha um papel fundamental na sua trajetória, e atribuiu ao apoio e a ajuda deles, suas conquistas.

Uma jovem mulher que nos mostra que com dedicação aos estudos, trabalho árduo e foco e possível alcançarmos nossos objetivos. Alguém que com certeza serve de inspiração e modelo para muitas outras jovens e que merece a nossa distinção.

milenio stadium - victoria hipolito Milénio Stadium: Na comunidade portuguesa você se destaca como uma jovem líder e alguém que, mesmo tão jovem, já alcançou objetivos muito importantes numa área onde não há muitos luso-canadianos. Qual a importância da sua família no seu sucesso?
Victoria Hipolito: Isso é muito bom de ouvir; sem dúvida que eu não estaria onde estou hoje sem o apoio da minha família e amigos chegados. Ser a primeira pessoa da minha família e ir para a universidade e estudar Ciências trouxe alguns desafios, mas eu sempre pude contar com a minha família e sou muito grata por isso. Portanto, eles tiveram, e ainda têm, um papel fundamental nas minhas conquistas.

MS: Quando você descobriu sua vocação e talento para a biologia e estudos científicos? Você está atualmente focado em um projeto específico?
VH: A minha paixão por ciências começou no ensino secundário quando conheci a minha professora de física. Uma física, mulher, inspiradora, não é assim tão comum uma rapariga crescer exposta a mulheres cientistas. Eu senti-me inspirada porque ela era confiante, inteligente, tornava a ciência divertida e fácil de compreender – e, por último, representava aquilo que eu me poderia tornar um dia. Quando comecei o meu percurso universitário descobri a minha paixão e o verdadeiro potencial da investigação científica, acabando por completar um Doutoramento em Ciências Moleculares. Atualmente, não estou a trabalhar em nenhum projeto de investigação ativo, trabalho para uma empresa que utiliza a inteligência artificial para ajudar cientistas de grandes empresas farmacêuticas, por todo o mundo, a executar as suas pesquisas. Com a minha experiência como bióloga molecular, eu posso ajudar outros cientistas e empresas farmacêuticas a utilizar esta tecnologia de forma a efetuarem experimentações bem-sucedidas, e assim, entregarem os medicamentos aos pacientes rapidamente.

MS: Você enfrentou alguma barreira em sua carreira por ser mulher? Se sim, como você as superou?
VH: Primeiro, quero começar por reconhecer as pessoas de todos os grupos sub-representados que historicamente enfrentam desafios no dia-a-dia das suas carreiras. Eu enfrentei desafios enquanto mulher na universidade, ao entrar em salas de aula com mais de 200 alunos e ser questionada se sou eu a professora. Na minha carreira profissional, existem desafios para uma mulher se fazer ouvir numa sala dominada maioritariamente por homens. Eu sempre procurei apoio na minha comunidade – na universidade, juntei-me a um grupo focado em apoiar mulheres no STEM. Trabalhámos para minimizar as barreiras para as mulheres e outros grupos minoritários da academia e para ajudar na consciencialização sobre diversidade e igualdade. Juntamente com aliados na minha rede, com a minha família e aprendizagens dos meus mentores, eu defendi-me e cresci.

MS: Como você vê o papel e a participação da mulher na sociedade atualmente? Você acha que ainda há uma grande expectativa para que elas não apenas tenham sucesso em suas carreiras, mas também tenham uma família e filhos?
VH: Mulheres e outras vozes de grupos minoritários desempenham um papel fundamental na sociedade devido às suas experiências diversas. Quando se entra numa sala, nos sentamos numa reunião ou se planeia um projeto – pense em quem está na mesma sala que você, é um grupo diverso? Se não é, então existe uma menor probabilidade de se proporem soluções criativas e inovadoras, de impulsionar novas ideias na área da ciência, da tecnologia, da política, da arte e muito mais! Para mim é difícil responder a esta pergunta, eu acho que realmente depende da pessoa e dos seus respetivos. Eu diria que definitivamente existe uma pressão inata para as mulheres que têm uma carreira e sustentam a sua família. É por isso que é importante que as empresas se foquem em apoiar culturas e um ambiente de trabalho que respeita e apoia um equilíbrio positivo entre trabalho-vida pessoal. Isto torna-se ainda mais importante para empresas com trabalhadores em teletrabalho.

MS: Você é uma inspiração para muitas jovens que sonham em ser bem-sucedidas e líderes em suas carreiras. Você se sente assim e o que você diria a elas?
VH: Seria uma honra se a minha história e as minhas experiências inspirassem jovens mulheres que estão a ponderar entrar nas ciências. Eu dir-lhes-ia para não desistirem nem se deixarem desencorajar se sentirem que não estão a ser vistas ou ouvidas. Procurem um aliado – alguém na vossa família, comunidade ou no trabalho, com quem se sintam confortáveis para conversar e partilhar as vossas experiências e pedir conselhos.

MS: Você se considera uma mulher poderosa?
VH: É difícil responder sem saber como definir o que é ser poderosa. Se estou a ter um impacto positivo nas pessoas com quem trabalho, na minha família e na minha comunidade, então já fico satisfeita!

Lizandra Ongaratto/MS

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