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NATO preocupada com o maior número de tropas na Bielorrússia em 30 anos

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NATO Secretary General Jens Stoltenberg talks speaks during a joint press with Sweden and Finland’s Foreign ministers after their meeting at the Nato headquarters in Brussels on January 24, 2022. (Photo by JOHN THYS / AFP)

 

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, manifestou-se esta quinta-feira preocupado pelo facto de a Rússia ter enviado para a Bielorrússia, país vizinho da Ucrânia, o maior destacamento militar dos últimos 30 anos.

“Nos últimos dias, assistimos a um movimento significativo de forças militares russas para a Bielorrússia. Este é o maior destacamento russo para o país desde a Guerra Fria”, disse Stoltenberg na sede da NATO, em Bruxelas, citado pela agência de notícias Associated Press (AP).

Stoltenberg admitiu que o número de tropas russas na Bielorrússia pode ser aumentado para 30 mil efetivos, com o apoio de forças especiais, caças de combate, mísseis balísticos de curto alcance Iskander e sistemas de defesa antimísseis terra-ar S-400.

“Assim, falamos de uma vasta gama de capacidades militares modernas. Tudo isto será combinado com o exercício anual das forças nucleares russas, previsto para este mês”, disse o político norueguês no final de um encontro com o primeiro-ministro da Macedónia do Norte, Dimitar Kovacevski.

Rússia e a Bielorrússia vão realizar exercícios militares conjuntos entre 10 e 20 de fevereiro, sob a designação “Allied Determination [Determinação Aliada] 2022”.

Em Minsk, onde se reuniu hoje com o Presidente bielorrusso, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse que o destacamento das unidades militares, algumas das quais estavam a cerca de 10.000 quilómetros da Bielorrússia, está prestes a ser concluído.

“Tudo tem sido organizado de forma brilhante. Há mesmo a possibilidade de receber armamento adicional”, disse Shoigu durante a reunião com Alexander Lukashenko, segundo a agência noticiosa bielorrussa oficial BELTA.

Lukashenko disse que a Bielorrússia, aliada de Moscovo, está pronta para comprar praticamente todas as armas que a Rússia enviou para os exercícios militares conjuntos.

O secretário-geral da NATO apelou à Rússia para diminuir a tensão e reiterou o aviso de que “qualquer nova agressão russa terá consequências graves e acarretará um preço elevado” para Moscovo.

Disse também que a NATO está pronta para se empenhar num “diálogo significativo” com Moscovo, para onde enviou propostas por escrito.

“Os Aliados estão preparados para abordar as relações NATO-Rússia, a forma de reduzir os riscos e aumentar a transparência, o controlo do armamento e a não-proliferação”, disse Stoltenberg, citado pela agência espanhola EFE.

Stoltenberg reafirmou que a NATO “não comprometerá princípios fundamentais”.

Referiu-se, em particular, ao “direito de cada país a escolher o seu próprio caminho” e à capacidade da Aliança de “proteger e defender todos os Aliados”.

“Estamos empenhados em encontrar uma solução política para a crise, mas temos de estar preparados para o pior”, disse.

O Ocidente acusa a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira com a Ucrânia para invadir novamente o país, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia, em 2014.

Moscovo nega essa intenção, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca será membro da NATO.

A Aliança tem dito que não tenciona destacar tropas para a Ucrânia, país que não faz parte da NATO, mas começou a reforçar as defesas dos Estados-membros próximos, nomeadamente Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia.

A aliança militar de 30 nações, de que Portugal faz parte, também planeia reforçar as suas defesas na região do Mar Negro, perto da Bulgária e da Roménia.

Stoltenberg congratulou-se ainda com o anúncio dos Estados Unidos da América (EUA) sobre o envio, esta semana, de 2.000 soldados para a Polónia e Alemanha, e parte de um esquadrão de infantaria com 1.000 soldados para a Roménia.

“É um sinal poderoso do empenho dos EUA e vem juntar-se a outras contribuições recentes dos EUA para a nossa segurança partilhada”, comentou.

JN/MS

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