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Menos 250 milhões de cigarros vendidos na pandemia

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Reportagem sobre o consumo de tabaco nas escolas. (Miguel Pereira/Global Imagens)

 

Quebra de 5% nas vendas da Tabaqueira até outubro, em contraciclo com a procura de mais ajuda para deixar o vício. Hospitais apostaram no modelo das teleconsultas.

Até outubro, a Tabaqueira vendeu menos 250 milhões de cigarros – uma quebra na ordem dos 5%, segundo a empresa que tem cerca de 60% da quota de mercado em Portugal. Em contrapartida, as vendas de fármacos para deixar de fumar continuam a crescer num ano em que a pandemia multiplicou as teleconsultas de cessação tabágica.

Os números facultados ao JN pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) indicam que se consumiram 356 096 embalagens deste tipo de fármacos até setembro, mais 2,4% do que em igual período de 2019 (347 686). Entre janeiro e abril, no início do surto de covid-19, o aumento foi de quase 18% (foram vendidas 194 817 embalagens contra 165 459 no mesmo período do ano anterior).

De acordo com um inquérito promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, um terço dos portugueses reduziu ou cessou o consumo de tabaco durante o confinamento. Uma fase durante a qual “algumas unidades de saúde” prestaram apoio aos fumadores que querem deixar de o ser através de teleconsulta, sublinha Emília Nunes, diretora do Programa Nacional de Controlo e Prevenção do Tabagismo, da Direção-Geral da Saúde, ainda sem dispor do número de atendimentos realizados nestes moldes.

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Ex-fumador José Carlos Silva. Cessação tabágica ( Pedro Granadeiro / Global Imagens )

 

O modelo nunca por cá tinha sido testado. “Nos EUA, no Canadá e em alguns países europeus é algo que se faz com frequência”, observa José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão que, até ao fim do ano, quer disponibilizar teleconsultas de desabituação tabágica.

Casos de sucesso

No Centro Hospitalar Universitário do Porto/Hospital de Santo António, quase 500 consultas foram feitas à distância desde abril. As medidas de segurança impostas pela covid-19 fizeram com que a intervenção passasse a ser individualizada. Antes, era feita essencialmente em grupo, por forma a “evitar uma lista de espera longa” e a dar resposta ao número de inscritos que cresce a cada ano, explica Inês Carvalho, psicóloga e responsável pela consulta do CHUP. E uma aposta acertada: cerca de 70% dos fumadores conseguiram cessar o consumo. Nas teleconsultas, o primeiro balanço aponta para uma taxa de êxito com “valores muito próximos”, garante.

José Carlos Silva é um desses casos de sucesso: apagou o último cigarro há quase oito meses. Depois de ter chegado a queimar dois maços e meio de tabaco por dia, sentiu que “tinha de parar”. Tentou sozinho, sem sucesso. Como a esmagadora maioria, precisou de ajuda, médica e medicamentosa: tomou varenicilina (conhecido como Champix) durante cerca de um mês, apesar de estar indicada para um mínimo de três.”O que, de facto, me ajudou, não foi tanto a medicação, com a qual até nem me dei muito bem, mas sim a força de vontade e, sobretudo, todo o apoio que tive durante as consultas e fora delas. Se não me tivesse inscrito, estou certo de que ainda hoje fumava”, diz ao JN José Carlos Silva. Aos 56 anos, venceu um vício que o acompanhava há 35 e ganhou “outra qualidade de vida, uma nova vida”.

Atraso no diagnóstico do cancro do pulmão é preocupante

As teleconsultas de cessação tabágica e o aumento das vendas de medicamentos para deixar de fumar são “boas notícias no combate ao tabagismo”, considera a presidente da Associação Portuguesa de Luta Contra o Cancro do Pulmão (Pulmonale). Isabel Magalhães lembra que cerca de 85% a 90% dos casos de cancro deste tipo estão associados ao consumo de cigarros e que a primeira vaga da pandemia impactou de forma “muito negativa” no tratamento, sobretudo com os atrasos no diagnóstico, dado que “muitas primeiras consultas e de seguimento foram suspensas”. “E tememos que, com a segunda vaga, o cenário ainda seja mais preocupante”, acrescenta.

1140 total de consultas de desabituação tabágica realizadas em 2019 no Centro Hospitalar do Porto – 311 primeiras consultas e 829 de seguimento.

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JN/MS

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