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Médico acusado de operar detidos sem anestesia começa a ser julgado na Alemanha

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A justiça alemã inicia, esta quarta-feira, o julgamento de um médico acusado de crimes contra a humanidade quando trabalhava num hospital na cidade de Homs, na Síria, vinculado aos serviços secretos do exército sírio.

Um tribunal de Frankfurt está a julgar um cidadão sírio que chegou a exercer medicina na Alemanha e foi preso em 2020, na região de Hesse, no centro do centro do país.

O homem, identificado como Alaa M., é acusado de ter cometido crimes contra a humanidade quando trabalhava num hospital ligado ao serviço de informação militar na cidade síria de Homs.

Alaa M. deixou a Síria em 2015 e, desde então, vive na Alemanha, onde trabalhou num hospital no Estado federal de Hesse.

Informações do semanário “Der Spiegel“, que identificou Alaa M. numa investigação conjunta com o canal de televisão Al-Jazeera, referem que a procuradoria alemã baseia as suas acusações em depoimentos de duas testemunhas, que estavam detidas na prisão em que o acusado trabalhava.

De acordo com o que se deduz do relatório de investigação, estes poderiam ser o irmão e o primo de um detido que morreu, testemunhas dos acontecimentos e agora refugiados na Alemanha, embora o semanário também tenha corroborado os acontecimentos com outros dois médicos que trabalhavam no mesmo hospital.

Segundo esses médicos, Alaa M. gabava-se de ter operado um detido sem anestesia, entre muitos outros atos que configuram tortura. Ambos também confirmaram que entre alguns médicos do hospital havia uma verdadeira competição para ver quem seria o primeiro a maltratar novos detidos.

No entanto, o advogado do acusado afirmou em declarações ao “Der Spiegel” que, durante a sua permanência no hospital militar, Alaa M. não teve qualquer envolvimento com torturas ou execuções no local e só soube destes acontecimentos mais tarde pela imprensa.

Na semana passada, um tribunal na cidade de Koblenz condenou a prisão perpétua um antigo chefe dos serviços secretos do regime sírio por crimes contra a humanidade, no primeiro julgamento internacional contra supostos autores de crimes do regime do presidente da Síria, Bashar al-Assad.

Desencadeada em março de 2011 pela repressão às manifestações pró-democracia no país, a guerra na Síria já custou quase meio milhão de vidas de acordo com o Observatório Sírio do Direitos Humanos (OSDH) e causou milhões de deslocados e refugiados.

JN/MS

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