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É urgente encontrar o equilíbrio

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A água é um elemento tão presente e fundamental nas nossas vidas que, na verdade, nem percebemos o quão afortunados somos por cada vez que abrimos a torneira da nossa casa nos depararmos com a água limpinha, e abundante, a jorrar. Os habitantes do Canadá podem se considerar particularmente sortudos já que o país tem acesso a até 20% do estoque mundial de água doce de superfície. Em 2011, o Canadá teve o quarto maior fornecimento de água doce renovável do mundo, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A província de Ontário possui mais de 250 mil lagos que formam os Grandes Lagos. Juntos, eles fornecem água potável a mais de 70% dos moradores da província e nas suas bacias vivem mais de 30 mil espécies de peixes, pássaros e outros seres vivos. Apesar dessa riqueza natural, alguns especialistas alertam de que a situação não é tão confortável e segura como pode parecer e sim, ainda pode haver a necessidade de restrições de água se a demanda exceder a oferta. Em relação a esse assunto o Ministério do Meio-Ambiente, Conservação e Parques de Ontário esclareceu que “Ontário reconhece a importância de proteger e conservar as águas dos Grandes Lagos que contêm 20% da água doce superficial do mundo. Embora este seja um volume muito grande, é importante considerar que os Grandes Lagos se renovam a uma taxa de apenas 1% ao ano, e que a saúde do ecossistema e os serviços sociais e econômicos que eles nos proporcionam dependem deste volume.” Por isso desde 2005 as províncias canadianas abastecidas por esse sistema, Ontário e Quebec, além de outros oito estados dos EUA assinaram o Acordo sobre Recursos Hídricos Sustentáveis da Bacia Hidrográfica dos Grandes Lagos – Bacia do Rio São Lourenço. O Acordo promove a cooperação através de processos comuns para regular as transferências de água entre as bacias hidrográficas e inclui requisitos para a comunicação de dados de uso da água e a implementação de medidas para fortalecer a gestão, conservação e eficiência da água.

Com essa riqueza natural hídrica também é difícil de compreender como alguns canadianos ainda não tem acesso a água potável. Um problema que se arrasta pelas últimas décadas sobretudo entre algumas comunidades indígenas e é causado por questões como marginalização dessas comunidades, contaminação, localização das reservas em áreas remotas e a dificuldade em manutenção dos sistemas. Segundo dados do Ontario First Nations Technical Services Corporation, em abril deste ano 41 Comunidades First Nations de Ontário não tinham acesso a água potável. O Ministério do Meio-Ambiente não respondeu ao nosso questionamento sobre essa situação.

Em relação a fenômenos naturais são as inundações que representam o maior risco e que podem custar mais caro ao governo de Ontário. De acordo com especialistas em mudança climática, o problema colocará a província no caminho de mais desastres relacionados ao clima.

Desde 1997, a província promulgou a Lei Municipal de Transferência de Água e Esgoto, que transferiu a propriedade dos bens de água e esgoto para os respectivos Municípios, o que no caso de ter que lidar com questões emergenciais, pode provocar problemas, afirmam técnicos do setor, já que algumas dessas cidades, dependendo do tamanho, podem não ter recursos para planejar ou administrar uma emergência climática grave. Grandes centros urbanos como Toronto, por exemplo, tem um plano detalhado de resposta de emergência que inclui planos específicos de risco para eventos como enchentes. No entanto, um relatório produzido pela Dillon Consulting, constatou que entre os 26 municípios consultados, todos tinham planos de gerenciamento de emergência e vários mencionavam casos de inundação – mas apenas quatro (Toronto, Mississauga, Oakville e Peterborough) tinham planos específicos para eventos dessa natureza: as inundações.

Em relação a isso, o governo de Ontário, através do Ministério do Meio-Ambiente, destaca a existência de uma “Estratégia de Enchentes de Ontário”, que delineia as medidas que o governo tomará nos próximos anos para reduzir o risco de enchentes e ajudar os habitantes a estarem mais bem preparados para esses eventos climáticos. O plano foi baseado nos conselhos de especialistas do Conselheiro Especial sobre Inundações de Ontário, que forneceu seu relatório sobre como aumentar a resiliência do sistema em outubro de 2019, e no extenso feedback que ele recebeu durante sua revisão.

Os alertas de ambientalistas deixam claro: é preciso que os governos de todos os níveis se preparem para as mudanças climáticas que trazem temperaturas mais altas e provocam desastres ambientais. Nenhum lugar do mundo está a salvo dessas transformações, portanto, o melhor é estar preparado e investir em ações de proteção ambiental que garantam nossos recursos naturais preservados, entre eles a água limpa que jorra de nossas torneiras.

Lizandra Ongaratto/MS

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