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E agora? O que faço com isto?

portuguesa - madalena balça - orgulho

 

Sou portuguesa. Orgulho-me muito das minhas origens e sempre me considerei uma portuguesa dos sete costados. Tanto quanto sempre soube, as minhas raízes estão bem agarradas ao território continental português. Umas rondam mais terras transmontanas, outras lisboetas, e outras estão bem no coração da Beira Litoral, de onde, aliás, sou natural. E pronto… o meu conhecimento sobre “de onde venho” sempre ficou por aqui. E bastava-me.

Há umas semanas aceitei o desafio de, com uma porção da minha saliva, descobrir mais sobre mim. Cumpri à risca o procedimento e respondi a perguntas que se revelaram muito importantes para os resultados que me foram apresentados. Entre outras coisas, tive que dizer aos senhores onde nasci…

Sinceramente, tinha-me passado ao lado esta nova “moda” de, através de uma amostra de ADN (ou DNA, na sigla em inglês), se procurar saber por onde se estendem as nossas raízes. E, ainda que sem grande interesse inicial, confesso que fiquei curiosa – “ora, então, vamos lá ver de onde vem este ser que anda por este mundo há já uns aninhos”.

O email chegou com o anúncio esperado – “Madalena aqui estão os resultados de que estava à espera”. Confesso que abri logo o link que me levaria a conhecer mais de mim própria. Curiosa. Muito curiosa, mesmo.
57%. Este valor sobressaía da informação que me estava a ser revelada – 57% de mim é de origem portuguesa. Nada de novo, dirão. Quer dizer… só 57%? Depois vem o resto, de Espanha. De onde sempre ouvi dizer que “nem bom vento, nem bom casamento” chega a outra grande fatia da massa de que sou feita – 27%. Mas a maior surpresa (encarem isto como ironia…) veio do que resta para os 100% – 10% de França e, em percentagens quase iguais, o meu ADN cruza-se com o de originários de países do noroeste da Europa, Inglaterra, Gales, País Basco e Escócia.

Inglaterra, Gales e Escócia? Querem ver que ainda descubro que pertenço à família real britânica? Passo a explicar – há uma doença que nos une, a hemofilia, que passando de pais para filhos, liga famílias numa cadeia interminável. Não, por favor… já chega a doença! Não preciso de saber que tenho primas com chapéus de aba larga a ver cavalos a correr, com gritinhos meio histéricos, meio contidos. Ou primos que inundam a vida social de futilidades e ações criminosas que são abafadas pelo peso do nome que transportam.

E… pronto! É tudo o que fiquei a saber sobre quem me antecedeu na família. Isto e a extraordinária revelação de que tenho 4603 primos, em quarto, quinto, sexto… oitavo graus, espalhados pelo planeta Terra. Esta parte até tem a sua piada e pode ser útil conhecer a “família” para fazer uma viagem pelo mundo. Só não tem graça se me começam a convidar para os casamentos. Bem, o melhor é deixar os meus queridos novos/velhos primos sossegados, na sua vidinha.

Por fim, só vos digo assim – que grande ideia de negócio! Explorar financeiramente a curiosidade sobre as nossas origens, garantir que vamos saber quem somos com uma porção de saliva enviada num tubo e depois enviar um relatório cheio de nada.

Madalena Balça/MS

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