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Agricultores do Ontário enfrentam verão seco e falta de água

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A escassez de chuvas no sul do Ontário está a ser um desafio para muitos agricultores que este ano produzirão menos alimentos do que o normal nesta temporada de colheita. Menos produção significa menos lucro, um problema para quem vive dos negócios dependentes do que a terra dá. O Canadian Drought Monitor Map, da Agriculture Canada, que analisa a gravidade das condições de seca em todo o país, tem registado um clima “anormalmente seco” no sudoeste de Ontário, e muitos agricultores estão atualmente a lidar com o impacto da falta de água prevalente dos meses de junho e julho até agora. De acordo com um relatório mensal da Estação Meteorológica da Universidade de Waterloo, metade da precipitação de junho caiu na primeira semana do mês, seguida de quase duas semanas sem chuva. O mês registou uma precipitação total de apenas 48,6 milímetros, muito abaixo da média de 82,4 mm nessa época do ano, tornando-o o mês de junho mais seco da região em 15 anos.

Scott King, da Cedar Grove Organic Farm, contou ao jornal Milénio que “nos últimos verōes tivemos muitos problemas com a gestão de água porque tem estado um clima demasiado seco. Este ano, na nossa região em particular, ainda não tivemos esse desafio. Mas tem sido algo que começa a acontecer anualmente.”
As previsões apontam para a possibilidade de condições mais húmidas no início de agosto, mas ainda há dúvidas sobre a quantidade de chuva que teremos este mês e se será o suficiente para compensar o défice de água observado nos últimos meses.

Quando a falta de água se torna mais séria, os agricultores procuram soluções como a cobertura do solo ou forragem, uma técnica conhecida como “mulching”. Esta cobertura contém materiais vegetais não decompostos como palha, feno, refugo ou cascas e pedaços de madeira.

Quase 5 bilhões de pessoas podem vir a enfrentar escassez de água até 2050 devido às mudanças climáticas, de acordo com as Nações Unidas. No Canadá, a agricultura é o maior consumidor de água, com apenas 25% da água retirada a ser devolvida à fonte. 85% do consumo agrícola de água destina-se à irrigação e 15% é utilizado para o gado. No setor da agricultura, quando se fala da seca, a questão de quais as culturas que usam mais água é um assunto que surge frequentemente. As plantações de campo consomem 50% e as forrageiras 37%, com as frutas a necessitar de 8% e as hortaliças 5% do total de água para irrigação.

“Evitar plantações que consomem grandes quantidades de água também ajuda, em anos mais secos. E também utilizamos “shade houses”, que são o oposto das estufas. Elas mantêm o solo mais fresco e conseguem fazer com que haja menos evaporação, o solo fica húmido por mais tempo. Todas estas técnicas são métodos de conservação de água”, revela Scott.

Juanita Moore é vice-presidente e responsável pelo desenvolvimento corporativo da Good Leaf Farms, uma plantação de interior em Guelph com um sistema de rega com vários benefícios. Este local utiliza apenas 5% da água consumida por uma fazenda tradicional e ainda recicla 95% desta água. Com este sistema, diz Juanita ao jornal Milénio, “não temos enfrentado os problemas que outras plantações em campo e ao ar livre estão a experienciar”. Neste método, chamado de sistema hidropónico, “em vez de a rega ser feita por cima, em que a água entra pela canópia da planta, nós regamos diretamente as raízes da planta e praticamente nenhuma água é desperdiçada. A água que sobra é depois reciclada, ou seja, é limpa e filtrada para ser utilizada novamente”. No entanto, este sistema não pode ainda ser aplicado aos campos ao ar livre.

A produção destas quintas destina-se maioritariamente à venda local ou nacional. Com as colheitas a serem prejudicadas, o impacto reflete-se nos lucros das empresas e, em casos de produções de maior escala, nos preços finais que os consumidores vão pagar.

As projeçōes estimam que as mudanças climáticas continuarão a fazer com que a província tenha cada vez mais níveis altos de precipitação durante a primavera e o inverno, e condições cada vez mais secas nos verões ao longo dos próximos anos.

Telma Pinguelo/MS

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