Madeira

Cada vez mais madeirenses trabalham por conta própria

No pico da crise e da diminuição do emprego, com a taxa de desemprego a atingir quase um em cada cinco trabalhadores na Região Autónoma da Madeira, os efeitos sobre o trabalho por conta de outrem foram praticamente idênticos aos dos trabalhadores por conta própria. A verdade é que, com o retomar da actividade económica, há cada vez mais madeirenses a trabalharem por sua conta e risco. Nos últimos oito anos atingiu o número mais alto no 4.º trimestre do ano passado.

No final de 2018, havia 23,3 mil pessoas na Madeira que declaravam trabalhar para si, contra 101,7 mil para um patrão, de um total de 125 mil pessoas empregadas, repetindo pelo segundo trimestre consecutivo essa fasquia que nunca antes (na actual série estatística iniciada em 2011) tinha sido alcançada. A série estatística anterior, que vinha desde 1998, foi descontinuada, não permitindo uma análise fiável.

Estas contas comparam com as dos restantes períodos de três meses de 2018, por exemplo, que dão conta que com 121,2 mil, 123,8 mil e 125,1 mil nos 1.º, 2.º e 3.º trimestres havia menos trabalhadores por conta própria, mas numa escalada gradual para 21,8 mil, 22,5 mil e 23,1 mil, respectivamente.

No 4.º trimestre do ano passado, por cada 4,3 trabalhadores por conta de outrem havia um trabalhador por conta própria

No 4.º trimestre do ano passado, por cada 4,3 trabalhadores por conta de outrem havia um trabalhador por conta própria. No período homólogo (4.º trimestre de 2017), por cada 4,7 a trabalhar para um patrão/empresa havia um que trabalhava por sua conta. O mesmo dois anos antes (5,5 para um no 4.º trimestre de 2016), numa situação que tem vindo a evoluir favoravelmente, ainda que lentamente.

Como referido, no pico da crise do emprego, no 1.º trimestre de 2013, quando estavam registados sem trabalho quase 25 mil pessoas (19,8% da taxa de desemprego), o número de pessoas empregadas atingiu os 105,6 mil, felizmente não se repetindo valores do género, havia 87,3 mil a trabalhar por conta de outrem, ainda assim 18,3 mil estavam por conta própria. Nos trimestres seguintes, mesmo com a recuperação do emprego, a tendência a iniciativa por conta própria de acompanhar os acréscimos e decréscimos manteve-se.

Se juntarmos os quatro trimestres do ano passado, essa média sobe para 20,1 mil

Nos 19 trimestres (2.º trimestre de 2013 até ao 4.º trimestre de 2017), a média trimestral de trabalhadores por conta de outrem situou-se nos 19,6 mil. Se juntarmos os quatro trimestres do ano passado, essa média sobe para 20,1 mil. E se incluirmos toda a série estatística, que abarca já , então a média de trabalhadores por conta própria é claramente melhorada para 20,2 mil, muito por culpa do último ano, que tem uma média trimestral de 22,6 mil bem acima do da série estatística.

Ainda assim, é de frisar que em termos de peso (trabalhadores por conta de outrem face a trabalhadores por conta própria), o 4.º trimestre de 2018 não é o melhor. Isto porque, efectivamente, actualmente há muitos mais desempregados que, por exemplo, no 4.º trimestre de 2013 (dois trimestres após o máximo do desemprego), com 109,5 mil trabalhadores, 88,2 mil dos quais por conta de outrem e 21,3 mil por conta própria, o que dava um rácio de 4,1 por conta de outrem por cada trabalhador por conta própria.

Isto poderá comprovar que, efectivamente, a crise e o desemprego, embora pudessem ter afectado as iniciativas por conta própria, acabaram por incentivar muitas mais pessoas a optar por essa via do trabalho.

São as mulheres que estão mais dependentes de um trabalho por conta de outrem

Última nota para a diferença do género. No 4.º trimestre de 2018, das 125 mil pessoas empregadas na Madeira, 61,8 mil eram homens e 63,2 mil mulheres e dos 101,7 mil por conta de outrem 46,4 mil eram do sexo masculino e 55,3 mil do sexo feminino. Ou seja, apesar de haver neste período um relativo equilíbrio entre mulheres e homens empregados, com ligeira vantagem (de 1.400) para elas, são as que estão mais dependentes de um trabalho por conta de outrem, disparando a diferença para quase 9 mil face a eles.

É pois com naturalidade que se denota que há mais homens a trabalhar por conta própria do que mulheres, actualmente cerca do dobro. Dos 23,3 mil do último trimestre do ano passado, 15,4 mil eram homens e 7,9 mil eram mulheres. E a diferença tem-se acentuado, ainda que apenas na evolução temporal recente, uma vez que historicamente (32 meses anteriores), varia quase sempre para o dobro ou menos.

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Fonte
DN Madeira

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