Açores

Plástico: Açores podem criar projeto-piloto

Os Açores, pela sua dimensão, têm condições para tornarem-se um projecto-piloto na redução do uso de produtos de plástico, segundo defende o presidente da Associação Ecológica Amigos dos Açores.

“A Região podia tornar-se um projecto-piloto nesta área, pois o nosso meio, sendo mais pequeno, constitui uma grande oportunidade para ter medidas que tenham efeito a curto e médio prazo, antes ainda de entrarem em vigor as novas medidas da União Europeia”.

A opinião de Diogo Caetano é expressa ao Diário dos Açores poucos dias depois de ter sido aprovado, no Parlamento Europeu, a proibição de comercialização de alguns produtos de plástico de uso único, como pratos, cotonetes, agitadores para bebidas, copos e pratos, entre outras medidas. Até 2025, a União Europeia pretende ver reduzido em 25% o consumo deste material nos Estados-membros.

O Presidente dos Amigos dos Açores admite tratar-se de uma “postura ambiciosa” das autoridades, que surge finalmente para “inverter” a grande tendência de consumo de produtos de plástico, “que aumentou muito nas últimas décadas”.

O responsável defende, em declarações ao Diário dos Açores, que “atitudes pro-activas” pensadas a nível regional dariam mais progresso à Região nesta área.

“Nós sugerimos que a nível regional fossem sendo tomadas algumas medidas que, de alguma forma, fossem favoráveis para que quando estas medidas (da UE) entrassem em vigor, já tivéssemos um nível de progresso maior”, refere.

Um grande passo, segundo frisa, seria, antes de mais, proibir os produtos de plástico de uso único nas escolas, “mesmo antes da directiva da UE entrar em vigor”.

“Uma das propostas que temos defendido é que essa proibição do plástico fosse adoptada nas escolas da Região, deixando que fossem usados produtos de plástico de uso rápido”, explica Diogo Caetano.

E porquê nas escolas? O responsável explica: “Era bom que estes produtos deixassem de vez de ser comercializados nas escolas, numa perspectiva de informar e sensibilizar as crianças e para que incutir-lhes hábitos de não consumo de plástico. Esta proibição nas escolas teria um efeito diferente, pois incutir estes hábitos nos jovens é investir no progresso, na mudança de mentalidade das famílias e da comunidade em geral”.

Além dos estabelecimentos de ensino, outras instituições públicas devem também “dar o exemplo”, “adoptando medidas de redução do uso de plástico em locais com muita concentração de pessoas”.

“Por exemplo, nos hospitais foi discutida a questão de não se venderem determinados tipos de alimentos prejudiciais à saúde. Mas porque não adoptar também medidas em defesa do ambiente, essa questão do plástico, sendo um espaço por onde passa muitas pessoas?”, questiona o ambientalista.

Diogo Caetano acrescenta ainda que “as instituições públicas, que envolvam o contacto directo com o público, devem começar por dar o exemplo e deixar de comercializar este tipo de produtos de plástico de uso único”.

“Estas medidas seriam pequenos progressos para que, quando entrasse em vigor as directivas da União Europeia, a Região já tivesse passos dados nesse âmbito, dando o exemplo quase como um projecto-piloto”, explicita o responsável.

Recorde-se que foi na última quarta- feira, 24 de Outubro, que os deputados no Parlamento Europeu aprovaram a proibição de comercialização de alguns produtos de plástico de uso único.

Só a União Europeia produz cerca de 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano e apenas 30 por cento são reciclados.

A posição do Parlamento Europeu terá agora de ser negociada o Conselho da União Europeia, onde estão representados os governos nacionais, com vista a alcançar um acordo sobre a legislação final.

A proposta prevê assim a proibição da venda de produtos como pratos, talheres, cotonetes, palhinhas, agitadores para bebidas e varas para balões, e também de produtos de plásticos oxodegradável e recipientes para alimentos e bebidas de poliestireno expandido.

Os Estados-Membros devem ainda, em relação a outros produtos de uso único, “tomar as medidas necessárias para obter uma redução ambiciosa e sustentada de pelo menos 25% até 2025”, lê-se no documento.

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